Nosso sistema financeiro tem aval do FMI e do Bird

O tempo em que o sistema financeiro apresentava sérios problemas e em que os clientes dos bancos sofriam pesadas perdas pertence ao passado. Hoje, quando o sistema financeiro mundial passa por graves problemas, o do Brasil é brilhante exceção. Missão conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), depois de avaliar nosso sistema financeiro, concluiu que ele é estável, com baixo nível de riscos e evidente capacidade de amortizá-los numa eventualidade.

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h04

O Relatório de Estabilidade Financeira, que o Banco Central (BC) acaba de divulgar, justifica amplamente a avaliação dos dois organismos internacionais.

A explicação de como nosso sistema evoluiu da fase dos problemas para a estabilidade atual deita raízes, num primeiro tempo, numa forte concentração dos estabelecimentos, que, reunindo recursos importantes e desenvolvendo toda uma engenharia para atrair mais recursos, puderam atravessar diversas fases delicadas. O papel do Banco Central foi decisivo. Ainda ontem, o êxito se mostrou no acordo a que o Banco Bamerindus, sob intervenção desde 1997, chegou com os seus credores.

Consolidando a saúde de nossas instituições financeiras num momento de grave crise nos países do Primeiro Mundo, em 2008, o presidente do BC na época, Henrique Meirelles, soube impor às nossas instituições que respeitassem e até ultrapassassem as regras ditadas pelo Banco Internacional de Compensações (BIS, na sigla em inglês), o que possibilitou que elas se protegessem dos efeitos da crise em outros países.

O relatório do BC mostra que o índice de liquidez do sistema bancário permaneceu elevado, permitindo fazer frente a eventuais restrições de recursos ainda que em situação de estresse. O retorno adequado sobre o patrimônio líquido dos bancos permitiu o crescimento das carteiras de crédito mesmo com a tendência de alta da inadimplência. Nossos bancos têm um índice de capitalização superior aos de Basileia. A captação externa em relação ao passivo total está em torno de 8%, não impedindo um aumento do prazo médio da carteira de crédito.

Nota-se um crescimento muito forte do crédito imobiliário, compensado em parte pela redução do financiamento de veículos, enquanto o empréstimo consignado está relativamente estável.

Caberia, certamente, no relatório, um comentário maior sobre a situação dos bancos públicos, que, com 43% das operações de crédito, apresentam apenas 14,6% de participação no patrimônio líquido.

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