Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Nota de crédito: como consultar e melhorar sua pontuação

Consideradas ‘currículos financeiros’, as avaliações podem ser consultadas por instituições financeiras como critério para a concessão de crédito ao consumidor

Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 10h26

A consulta à nota de crédito é um dos itens observados por bancos e instituições financeiras na hora de conceder empréstimos ao brasileiro. Atualmente, o Brasil conta com três grandes bases de dados que permitem a consulta gratuita pelo próprio consumidor de forma a incentivá-lo a melhorar sua pontuação e mudar hábitos financeiros.

Em linhas gerais, quanto maior a nota de crédito, menores as chances do consumidor não honrar suas dívidas e dar um “calote”. Por ser um resultado dos hábitos de pagamento do consumidor, a pontuação funciona como um “currículo financeiro”. Um banco, por exemplo, pode consultar a nota atrelada ao CPF do cliente na hora de determinar o limite do cartão de crédito.

Apesar disso, a pontuação não é o único critério de análise de risco existente, pois cada empresa pode adotar seus próprios meios de avaliar as necessidades consideradas importantes. Em alguns casos, as instituições financeiras podem avaliar a nota junto de outras informações adicionais próprias para dimensionar os riscos de inadimplência.

Quais são as principais bases de dados?

As três bases de dados mais conhecidas são Serasa Score, SPC Brasil e Boa Vista SCPC.

Serasa Score, da Serasa Experian, fornece uma pontuação de 0 a 1.000 ao consumidor de acordo com seus hábitos financeiros. A consulta é gratuita e pode ser feita no site da Serasa após cadastro com o CPF. A nota também pode ser comparada com a nota média de outros consumidores da mesma faixa etária. Cerca de 700 mil empresas consultam os dados da Serasa por mês, segundo a empresa.

Boa Vista SCPC também disponibiliza acesso gratuito pela internet à pontuação de crédito após cadastro, o Score Crédito. A página exibe a pontuação de 0 a 1.000 e a informação se há dívidas em atraso. Por mês, são aproximadamente 2 milhões de consultas à base de de dados, composta por mais de 230 milhões de CPFs e disponível para mais de 300 mil empresas. 

Por fim, o SPC Brasil integra a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, com aproximadamente 450 mil empresas associadas e 1 milhão de postos de vendas. A base de dados conta com o cadastro de 180 milhões de CPFs e 26 milhões de CNPJs. A consulta gratuita pode ser feita presencialmente nos balcões do SPC Brasil. Por mês, são 50 milhões de atendimentos, de acordo com a empresa.

Como são calculadas as notas de crédito?

A pontuação é dinâmica, ou seja, muda de acordo com a data da consulta e as novas movimentações financeiras do consumidor. Por isso, as notas de crédito são calculadas a partir de uma série de fatores, como o pagamento de contas antes do vencimento, o histórico de dívidas, o relacionamento financeiro com empresas e instituições de crédito e a atualização de dados cadastrais.

Cada empresa responsável pela avaliação tem seus próprios critérios, o que poderia explicar a diferença entre as notas no mesmo CPF. Em geral, quanto mais positiva for a pontuação do consumidor em cada quesito de seu histórico financeiro, maior será o score total. Confira abaixo a média de risco de cada nota:

Alto risco de inadimplência: Abaixo de 300 pontos.

Médio risco de inadimplência: 300 a 700 pontos.

Baixo risco de inadimplência: Acima de 700 pontos.

É possível ter crédito negado mesmo com uma nota alta?

Sim. É preciso ter em mente que ter uma boa nota de crédito não é garantia automática de aprovação de crédito. As empresas também podem utilizar suas próprias formas de avaliação para tomar uma decisão final e, em alguns casos, nem sequer podem avaliar a pontuação informada pelas bases de dados. 

Como melhorar minha nota de crédito?

A primeira coisa a fazer é garantir o nome limpo no mercado, ou seja, renegociar débitos com os credores e pagar as dívidas atrasadas. O passo é considerado fundamental, caso contrário o “currículo financeiro” do consumidor continuará a ser visto como o de um mau pagador.

Em seguida, é preciso ter disciplina e evitar fazer novas dívidas. Por isso, não atrase nenhuma outra conta e, se possível, inclua algumas em débito automático. Com isso, é possível evitar atrasos esporádicos que podem negativar a nota.

Outro passo é atualizar as informações básicas nos cadastros das bases de dados, como idade, endereço e telefone. Quanto mais recentes forem os dados, melhor a avaliação no score. A atualização pode ser feita pela internet ou pessoalmente, de acordo com a empresa escolhida.

Por fim, também é recomendada a criação de um Cadastro Positivo, um registro do pagamento de todas as contas quitadas. Assim como a nota de crédito, ele também serve como um “currículo” da situação do consumidor com suas obrigações financeiras. Por meio dessa avaliação, um banco poderia saber se o cliente paga as contas em dia e, com isso,  oferecer crédito com juros menores.

Minha nota de crédito não subiu mesmo após limpar o nome. O que aconteceu?

Se o consumidor acabou de regularizar sua situação no mercado, quitando todas as dívidas atrasadas, por exemplo, a nota de crédito pode não subir automaticamente. O motivo pode ser o histórico anterior de dívidas, que ainda puxará para baixo a pontuação.

É preciso ter paciência e manter as contas em dia para mostrar uma mudança no comportamento financeiro e garantir aos credores que reavaliem os riscos de concessão de crédito. Quanto mais tempo esse novo padrão se mantiver, mais rápido a nota poderá subir.

Pagar à vista ou com antecedência melhora a nota de crédito?

Não. As bases de dados não recebem informações sobre a data ou a forma de pagamento da compra, apenas se o consumidor quitou a conta no prazo ou não. Por outro lado, a modalidade de pagamento à vista ou com antecedência pode prevenir dívidas futuras, o que ajuda a evitar o rebaixamento da pontuação.

É possível pagar para melhorar a nota de crédito?

Não. As empresas responsáveis pelas bases de dados alertam para golpistas que vendem o serviço de melhorar a pontuação do consumidor mediante pagamento. Não existe essa possibilidade e a única forma de aumentar a nota de crédito é pela própria ação da pessoa em melhorar sua situação financeira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.