Nota de crédito dos EUA pode ter nova redução

Falta de consenso do Congresso sobre corte adicional de US$ 1,2 trilhão na dívida federal pode provocar novo rebaixamento pela agência S&P 

Denise Chrispim Marin, correspondente de O Estado de S.Paulo,

20 de novembro de 2011 | 23h35

WASHINGTON - Com os nervos à flor da pele, os Estados Unidos preparam-se para um triste Dia de Ação de Graças. Mesmo sob risco de novo rebaixamento na classificação de risco de crédito de longo prazo do país, o segundo em três meses, o Congresso mostrava-se até sexta-feira incapaz de um consenso sobre o corte adicional de US$ 1,2 trilhão na dívida federal, hoje em US$ 15 trilhões.

 

Diante do prazo de negociação curto, a se esgotar na noite de 23 de novembro, o mercado financeiro americano prepara-se para um novo temporal.

Os EUA perderam no início de agosto a nota mais elevada, AAA, para os títulos de longo prazo do Tesouro por decisão da Standard & Poor’s (S&P). Na ocasião, a agência considerara o acordo sobre a redução da dívida federal insuficiente para garantir a capacidade de os EUA pagarem seus compromissos e culpara o ambiente político pouco favorável. A S&P advertira ainda para a possibilidade de novo rebaixamento da nota, de AA+ para AA, nos próximos dois anos.

Parte do acordo "insuficiente" de agosto é exatamente o tema em negociação por um comitê bipartidário do Congresso e o fator de novas incertezas. Joshua Shapiro, da consultoria econômica e financeira MFR, afirmou ao Estado ser possível novo rebaixamento na nota do crédito dos Estados Unidos por causa da ausência de acordo, embora não considere esse fator tão relevante ou suficiente para tal punição. "A frustração pode levar ao rebaixamento. Mas, vamos ter de esperar e ver o que vai acontecer. O Congresso ainda pode chegar a um acordo."

Ao New York Times, Zane Brown, da consultoria Lord Abbett, ressalvou ser ainda mais arriscado o Congresso aprovar um acordo fraco, dada a incerteza que traria e a demonstração da falta de habilidade do Congresso em tomar decisões. "Isso reforçaria os argumentos usados pela S&P quando rebaixou os EUA (em agosto) e talvez justifique uma redução adicional na avaliação do crédito americano. Esse é um risco que alguns investidores estão antecipando."

As dúvidas maiores do mercado estão na reação da S&P a partir de quinta-feira, feriado de Ação de Graças. Especialistas consultados pelo Estado não consideram possível a agência rebaixar a nota de crédito se o acordo não ocorrer, porque nesse caso está previsto o corte automático de gastos em igual valor - US$ 1,2 trilhão em dez anos - a partir de 2013. A concorrente Moody’s antecipou sua decisão de não mexer na avaliação de risco dos EUA por essa mesma razão.

Porém, completaram os analistas, ambas as agências vão seguir com lupa como se dará a execução orçamentária americana até 2013, especialmente se haverá mais pressões de aumento dos gastos públicos, e também a emissão de títulos e o cenário econômico do país. A preservação da nota de risco de crédito dos EUA no nível atual - AAA, pela Moody’s, e AA+, pela S&P - dependerá dessa avaliação.

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