?Notáveis? são contra dolarização da Argentina

Rechaçar a dolarização, além de implementar extremas restrições à emissão monetária e redução da ajuda do Banco Central às entidades financeiras em problemas. Estas recomendações foram repetidas com insistência a diversos integrantes do governo do presidente Eduardo Duhalde nesta terça-feira ao longo de todo o dia, além de banqueiros e parlamentares.A recomendação partiu dos ?notáveis?, comissão que reúne quatro economistas internacionais de renome, que desde esta segunda-feira está assessorando a Argentina na saída da grave crise financeira do país. Os economistas ? Hans Tietmayer, ex?presidente do Bundesbank; Luis Angel Rojo, ex?presidente do Banco Central da Espanha; John Crow, ex?presidente do Banco Central do Canadá, e Andrew Crockett, gerente-geral do Banco Internacional de Pagamento de Basiléia - começaram o dia reunindo-se com o presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli, para depois passar para uma comissão de parlamentares.Menem e setor financeiro apóiamAlém disso, encontraram-se com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, e com um grupo de banqueiros. Na reunião com Lavagna, o grupo afirmou que está contra uma eventual dolarização da economia argentina. A proposta de eliminar o peso como moeda nacional e passar a adotar o dólar é defendido com unhas e dentes pelo ex?presidente Carlos Menem, que está em plena campanha eleitoral.Amplos setores do establishment financeiro também apóiam a dolarização. Segundo o senador Ricardo Gómez Diez, do partido do governo, o Justicialista (Peronista), que esteve presente à reunião, Tietmayer foi o principal crítico da idéia de dolarizar a economia. O ex?presidente do Bundesbank sustentou que, já em meados dos anos 90, ele havia alertado para a ?inviabilidade? da conversibilidade econômica (sistema que a Argentina manteve entre 1991 e o início deste ano, que estabeleceu a paridade de um a um entre o peso e o dólar).ApocalipseAlém disso, segundo o economista alemão, ?a dolarização não é a solução para os problemas do país. Antes disso, seria preferível a flutuação com emissão controlada?. O grupo de economistas está sendo denominado de ?os quatro cavaleiros do apocalipse?, já que suas recomendações poderiam complicar mais ainda o caótico panorama da economia argentina.Dentro do ministério da Economia, além da denominação bíblica aplicada aos economistas internacionais, também é utilizada a expressão ?los jubiladitos? (os aposentadinhos). O motivo deste apelido é que dos quatro, três já estavam aposentados, e somente um está trabalhando de forma plena, atualmente.O governo, enquanto isso, tenta minimizar o peso da comissão de ?notáveis? nas negociações com o FMI. O secretário-geral da presidência da República, Aníbal Fernández, negou que a comissão vá interferir no direcionamento da política econômica do país: ?Isso é algo muito importante para deixar nas mãos de economistas?, disse, destacando que o presidente Eduardo Duhalde já definiu as diretrizes de como sair do ?corralito?. O quarteto de economistas partiria de Buenos Aires nesta quarta-feira à tarde.Opinião do Banco Mundial?No mercado interno, prevalecerá a falta de confiança, e não vejo os argentinos gastando muito em dois anos. Não haverá recuperação do consumo até 2004.? Desta forma, a representante do Banco Mundial na Argentina, Myrna Alexander, deixou claro que as perspectivas que vislumbra de uma recuperação econômica para este país não aparecem no horizonte próximo.Segundo Alexander, que deixará seu cargo no dia 31 de julho, o desemprego continuará elevado nos próximos tempos. ?A Argentina vai perder muito em relação ao desenvolvimento humano. Um pobre continuará sendo pobre por muitos anos ainda. Hoje, há poucas possibilidades de sair disso?, disse a representante do Banco Mundial.Segundo ela, o desemprego ?descerá lentamente, ao longo dos seguintes dez anos?. Alexander afirmou que a saída para o grave desemprego argentino, que atingiria 23% da população economicamente ativa, ?não está no desenvolvimento de setores com alto nível de valor agregado, como a indústria pesada e as montadoras. Não é a solução na Argentina e em nenhum país do mundo?.Ela sustenta que o futuro da Argentina ?está em commodities, serviços, turismo e mineração. Também é preciso apoiar setores como o desenvolvimento de softwares, design e serviços, que são os que criam mais empregos?.

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