Notícias dos EUA animam bolsas europeias

Investidores também mudaram avaliação sobre a ajuda de 489 bilhões do BCE aos bancos da região

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h04

Um dia após a intervenção do Banco Central Europeu (BCE), que alimentou o sistema financeiro com € 489 bilhões em empréstimos subsidiados, as bolsas de valores da Europa reagiram com altas. Após fecharem pessimistas, os mercados financeiros demonstraram ontem mais confiança na ação da autoridade monetária e subiram, alimentados também por notícias positivas sobre a economia dos EUA.

O ceticismo inicial dos investidores sobre a estratégia do BCE deu lugar a uma aprovação discreta, sem euforia. Já sobre as estatísticas americanas, a avaliação foi mais eufórica. Mesmo que o crescimento dos EUA no terceiro trimestre tenha sido revisado para baixo - 1,8%, ante os 2% anunciados -, a redução de 364 mil pessoas na lista de desempregados animou os investidores. O número é o mais baixo desde abril de 2008, antes da falência do banco de investimentos Lehman Brothers.

Além do nível de emprego, a confiança do consumidor também melhorou. Segundo estudo da Universidade de Michigan, o índice chegou a 69,9 pontos, maior que os 68 esperados.

As estatísticas se refletiram nas bolsas. Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em alta de 1,25%. Em Paris, a alta do CAC40 foi de 1,36%, enquanto em Frankfurt o DAX ganhou 1,36%. Nas economias diretamente afetadas pela crise das dívidas soberanas, o resultado também foi positivo, com exceção da Grécia.

Os bons resultados e a calmaria da semana também foram motivados por notícias de que as negociações para criação do "firewall" europeu contra crises, o Mecanismo Permanente de Estabilidade Financeira, estão concluídas. O aparato, uma espécie de Fundo Monetário Internacional (FMI) europeu, substituirá o atual Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) em 2012 e disporá de € 500 bilhões, contra os atuais € 250 bilhões do FEEF.

Os líderes europeus ainda precisam chegar a um acordo sobre as modalidades de implantação do mecanismo, o que deve ocorrer nas próximas semanas.

Independente das negociações, porém, a União Europeia sabe que não poderá contar com a nova instituição caso algum país em crise necessite de um novo programa de socorro financeiro em curto prazo.

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