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Jean-Paul Pelissier/Reuters
Jean-Paul Pelissier/Reuters

Notícias falsas sob ataque na Europa

Alemanha e França anunciaram medidas para tentar conter desinformação na web e proteger eleições

O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2018 | 05h00

As notícias falsas estão sob ataque. Preocupados com os efeitos do fenômeno em futuras eleições, governos europeus iniciaram o ano anunciando medidas para tentar conter a proliferação na internet das chamadas “fake news”: conteúdos produzidos com o objetivo de disseminar mentiras sobre pessoas e acontecimentos.

A Alemanha tomou a dianteira. No primeiro dia de 2018 entrou em vigor no país uma nova legislação obrigando redes sociais com mais de 2 milhões de membros a removerem em até 24 horas conteúdos apontados por usuários como impróprios, como discursos de ódio e notícias falsas. A empresa que não atender a exigência pode ser multada em ¤50 milhões.

Facebook, Twitter e YouTube serão os principais afetados. 

Dois dias depois de a legislação começar a valer na Alemanha, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que seu governo adotará medidas para combater a disseminação de conteúdo enganoso durante o período eleitoral. Segundo ele, a ideia é obrigar provedores de internet a fornecerem informações para que seja possível avançar rapidamente em processos judiciais contra os responsáveis por espalhar histórias falsas na rede. 

Eleito no ano passado, numa disputa acirrada, Macron foi alvo de boatos nas redes, como o de que tinha contas no exterior e de que a Arábia Saudita estava financiando sua campanha. À época, ele culpou os russos pela onda de notícias falsas, especialmente a RT, rede internacional de TV da Rússia. O presidente francês chegou a acusar a emissora de ter publicado milhares de documentos falsos sobre ele na web. As acusações foram negadas por Moscou.

As suspeitas e evidências mais rumorosas das investidas da Rússia em pleitos de outros países ocorreram nos Estados Unidos, onde o governo do presidente Donald Trump, que sagrou-se vencedor na disputa, passou a ser investigado por ter estabelecido relações com integrantes do governo de Vladimir Putin durante a campanha.

O escândalo colocou gigantes como Google e Facebook na berlinda. A rede social de Mark Zuckerberg foi especialmente criticada após a descoberta de que russos compraram publicidade da rede social para interferir nas eleições. As “fake news” que circulam pela rede tornaram-se um problema crescente para a empresa. Em texto divulgado na semana passada em sua conta no Facebook, Zuckerberg enumerou como missão para 2018 corrigir problemas como interferência de governos estrangeiros na plataforma – no ano passado, a meta foi visitar todos os Estados norte-americanos ao longo do ano.

No Brasil, o debate sobre como reagir às notícias falsas ainda está em andamento. No Congresso, há projetos de lei em debate. Um deles segue a linha das medidas adotadas na Alemanha. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também avalia como combater as “fake news”. Um grupo de trabalho com representantes da Polícia Federal e Ministério Público Federal deve ser formado para formatar medidas que possam ser aplicadas nas eleições presidenciais de 2018.

Alcance. Apesar da preocupação que o tema inspira em governos mundo afora, por ser um fenômeno recente, ainda são escassas as métricas sobre o real impacto das notícias falsas na percepção de leitores e nas suas escolhas eleitorais.

Um dos primeiros estudos sobre o tema indica que, o alcance das “fake news” é grande, mas sua influência tende a ser limitada.

Segundo o jornal The New York Times, cientistas políticos das universidades de Princeton, Exeter e Dartmouth College analisaram os sites visitados por 2.525 americanos nas semanas anteriores e posteriores às eleições de 2016, na qual Trump enfrentou a candidata democrata Hillary Clinton.

Independentemente da preferência partidária que demonstravam, as “fake news” representaram pequena fatia do consumo diário de notícias dos participantes, que seguiram atentos à produção de veículos tradicionais.

Somente 1% do conteúdo visto veio de sites falsos entre favoráveis a Clinton e 6% entre os que apoiavam Trump. Os mais conservadores viram apenas cinco notícias falsas, em média, em cinco semanas, conforme o estudo. / Agências internacionais

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