Nova alta da Selic amplia atratividade dos pós-fixados

Especialistas falam sobre estratégias de investimento após decisão do Copom desta quarta-feira

Roberta Scrivano, do Economia & Negócios,

22 de julho de 2010 | 07h30

A alta de 0,50% na taxa Selic, para 10,75% ao ano, definida na quarta-feira, 21, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), já altera o cenário para os investimentos no País. Alguns ativos passam a ser mais rentáveis, enquanto outros perdem a atratividade. Títulos pós-fixados são os mais beneficiados. Os fundos com papéis prefixados ficam menos interessantes aos olhos do investidor.

Especialistas explicam que o cenário muda sobretudo porque essa é a terceira alta consecutiva de um ciclo de aumento que deve durar até o fim desse ano. Para analistas, até dezembro, a Selic chegará a 11,5% ao ano.

Manuel Enriquez García, professor da Faculdade de Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Fea/USP), salienta que o investidor tem de inserir no planejamento da carteira as oscilações nos juros, já que sempre ocorrerão ciclos econômico que ou elevarão ou derrubarão o juro. Alexandre Lignus, consultor financeiro da IGF, concorda com Garcia e completa: "Não dá pra mudar a carteira cada vez que houver mudança no juro. É preciso ter uma estratégia e agir conforme ela."

Pós-fixados: Estão nessa aba CDBs pós-fixados, fundos DI e papéis LFT emitidos pelo governo federal. "Se há tendência de alta na Selic, os pós-fixados são o melhor negócio", diz o economista e consultor Caio Torralvo.

García, da USP, também recomenda papéis pós-fixados. "Para que haja a repercussão da nova taxa", explica.

Prefixados: CDBs prefixados e papéis LTN do governo federal não são indicados em situações de alta da Selic.

Fábio Colombo, administrador de investimentos, explica que o futuro dessa aplicação está incerto no momento. "Temos a expectativa de alta do juros, que elimina a chance de esse investimento ser bom."" Ele também salienta que a aproximação das eleições presidenciais, fato que estimula a incerteza sobre o futuro da política monetária, também prejudica o desempenho dos prefixados.

Títulos indexados à inflação: Os papéis NTN-B do Tesouro Direto são exemplo de títulos indexados à inflação e não sofrem muita alteração com a alta da Selic, segundo os especialistas. Sobretudo porque as NTN-Bs são ativos para manter o dinheiro aplicado entre cinco e oito anos.

Poupança: A rentabilidade da caderneta não é alterada com a variação no juros. García, da USP, explica, porém, que a rentabilidade, quando comparada à de fundos DI, por exemplo, passa a ser muito menor. "Mas isso não quer dizer que você deve tirar o seu dinheiro da poupança para colocar num CDB", reforça García, da USP. William Eid Júnior, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), alerta que para quem tem mais de R$ 10 mil na caderneta, a migração para o CDB pode ser interessante. García, da USP, diz, no entanto, que é preciso estar atento às taxas de administração cobradas nos CDBs. "Ou a rentabilidade não será a esperada."

Ações: Oscilações são intrínsecas à renda variável. Ter bons rendimentos ou não, no entanto, não depende apenas na taxa básica de juros, mas de outros fatores que vão desde os resultados da empresa em que se investe até o desempenho da economia mundial.

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