Nova associação quer reduzir custo de captação das companhias brasileiras

Objetivo é criar condições para que as empresas negociem papéis simultaneamente na bolsa brasileira e em bolsas estrangeiras.

Ana Paula Ribeiro,

24 de março de 2010 | 15h55

A transformação do Brasil em um polo de negócios internacionais terá, como uma das principais consequências, o aumento da liquidez no mercado financeiro e a redução do custo de captação de recursos por parte das empresas. Ao menos essa é a expectativa do diretor geral da Brain (Brasil Investimentos e Negócios), Paulo Oliveira. "O Brasil é um polo local na América Latina, mas tem vocação e condição de se tornar um centro internacional de negócios", afirmou durante a apresentação da nova associação.

 

A Brain é uma iniciativa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro de Capitais (Anbima), BM&FBovespa e Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que há mais de um ano elaboram um plano, conhecido como Projeto Ômega, para transformar o Brasil nesse polo. A nova entidade é que irá ajudar a executar o projeto.

 

Ao todo 13 entidades já aderiram à Brain (Anbima; BM&FBovespa, Febraban, Bradesco, BTG Pactual, Cetip, Citibank, Itaú Unibanco, HSBC, Fecomércio, Santander, Banco Votorantim e Banco do Brasil). Cada um desses associados irá contribuir com R$ 1 milhão ao ano. Outras três estão encaminhando a adesão (Associação Comercial de São Paulo, Firjan e Fiesp). A expectativa é de que a partir de amanhã, quando ocorre o evento do lançamento da Brain, outras entidades e empresas declarem a adesão.

 

Durante o processo de criação da Brain, foram mapeadas cerca de 80 iniciativas em diversos setores. Essas ações estão agregadas em três grandes frentes. A primeira é consolidar o Brasil como centro de negócios da América Latina, com a regionalização do setor financeiro, apoio à expansão de empresas "multilatinas" e a criação de um marco regulatório regional.

 

A segunda frente é desenvolver o relacionamento desse centro de negócios globalmente. Para isso, Oliveira afirma que será necessário melhorar a infraestrutura do País, reforçar o comércio exterior e simplificar a legislação cambial. O terceiro passo é reforçar a competitividade brasileira.

 

Uma das primeiras ações da Brain será criar condições especiais para que as empresas brasileiras consigam fazer a dupla listagem de papel, ou seja, negociar na bolsa brasileira e também em uma estrangeira. O caminho inverso também será estimulado. Para isso, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, afirmou que os reguladores dos diversos países, em especial os asiáticos, serão procurados. A ideia é evitar que as companhias tenham os custos de listagem duplicados. "Vamos facilitar o acesso a capital com um custo menor, viabilizando o crescimento das empresas", disse.

 

Embora tenha sido criada por instituições financeiras, o presidente da Anbima, Marcelo Giufrida, reforçou que a Brain quer agregar empresas de todos os setores e permitir o desenvolvimento da economia brasileira, com uma prestação de serviços de qualidades e o apoio à internacionalização das companhias. "É um projeto de longo prazo que depende de todo setor público e privado. A Brain vai permitir o debate e irá transformar essa visão em realidade", disse.

 

De acordo o presidente da Febraban, Fabio Barbosa, a execução do projeto é de longo prazo (entre cinco e dez anos) e por isso o objetivo não é tratar de questões pontuais ou de fazer com que o governo federal dê maior agilidade às modificações regulatórias.

 

(TEXTO CORRIGIDO ÀS 19H33)

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