Nova banda cambial, relatório da Medley e a fala de Dilma

Análise: Fábio Alves

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h17

Um relatório da consultoria americana Medley Advisors, distribuído na semana passada, deixou o mercado com a pulga atrás da orelha. Escrito em inglês e intitulado "Rock the band", o relatório afirmava que a presidente Dilma Rousseff passou a adotar uma meta para a taxa de câmbio de R$ 2,30 até o fim de 2014 e que, por isso, o Banco Central não iria defender o teto informal mais recente de R$ 2,10 da banda cambial que o governo brasileiro vem dando a entender para investidores e analistas. De início, houve um certo ceticismo em relação ao relatório da Medley, mas depois da entrevista da presidente Dilma ao jornal Valor Econômico e do fato de o BC não ter feito uma intervenção num momento em que a cotação do dólar resvala próximo a R$ 2,10, uma corrente cada vez maior do mercado está levando a sério o cenário dos analistas da Medley.

No relatório, a consultoria afirma que, no curto prazo, o BC deixará o câmbio oscilar para níveis ao redor de R$ 2,15. "Eles (BC, Dilma Rousseff, Ministério da Fazenda) veem a estabilização da moeda acima do patamar de R$ 2,00 uma conquista importante, mas não suficiente para realmente corrigir o desequilíbrio competitivo criado pela 'guerra cambial' global", diz um trecho do relatório.

O primeiro passo nessa direção é elevar a banda cambial dos atuais R$ 2,00 a R$ 2,10 para R$ 2,05 a R$ 2,15, prosseguiram os analistas da Medley, relatando conversas que tiveram com fontes do governo. Mas atingir o objetivo de médio prazo em relação aos níveis do câmbio desejado dependerá da inflação. Isso porque, conforme o relatório, qualquer sinal de disparada da inflação, forçando o BC a agir mais energicamente (isto é, subir juros), esse plano de elevar a banda cambial terá de ser adiado.

As declarações da presidente Dilma Rousseff, durante a sua visita a Madri, acabaram reforçando essa tese da Medley. Apesar de se referir ao movimento de depreciação do real ao longo deste ano, Dilma acabou endossando a percepção de que esse movimento de desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar prosseguirá.

Mas o que vem corroborando a noção de que o governo deixará o real mais depreciado nos próximos meses é a postura do BC nos últimos dias no mercado de câmbio. O dólar vem subindo consistentemente nos últimos pregões. Ontem fechou perto de R$ 2,10.

O que o mercado teme são as constantes mudanças de banda cambial, o que levaria à falta de previsibilidade e ao desestimulo dos investidores internacionais.

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