Nova bandeira de hotéis de baixo custo chega ao País

Rede Days Inn, da americana Wyndham, tentará disputar clientes com hotéis familiares em cidades do interior brasileiro

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2013 | 02h12

O conceito americano de hospedagem de baixo custo será reforçado no Brasil a partir desta segunda-feira, quando começa a operar em fase de testes, em Linhares, no Espírito Santo, a primeira unidade da rede Days Inn. A dona da marca, a Wyndham, dos Estados Unidos, está desenvolvendo projetos com diferentes empresas, com foco em cidades do interior. A meta é que a bandeira seja vista como uma opção a hotéis familiares.

A mineira Vert Hotéis, que já é parceira da Wyndham em outras bandeiras - tem a exclusividade, por exemplo, da Ramada - está entre as companhias dispostas a desenvolver a rede Days Inn no País. O hotel de Linhares, no entanto, foi construído pelo empresário Antônio Bispo, que terá a Vert como parceira comercial, para realização de reservas. Outra empresa hoteleira nacional, a Nobile, estaria planejando uma unidade Days Inn em Varginha (MG).

Segundo o diretor de desenvolvimento da Vert, Amílcar Mielmiczuk, existe uma carência por opções de hoteleira de baixo custo no País. Ele diz que seria possível abrir 30 unidades Days Inn no País em um prazo de dez anos. A Vert já negocia interessados no projeto em praças como Curitiba (PR) e Campinas (SP).

Para Mielmiczuk, o grande diferencial do Days Inn será ofertar um serviço padronizado por um preço competitivo. Em cidades do interior, a ideia é que a hospedagem com café da manhã para duas pessoas custe R$ 120, em média. A tarifa do hotel que começa a operar no Espírito Santo, no entanto, será um pouco mais salgada: R$ 149.

No Brasil, o desenvolvimento de hotéis depende da venda de quartos para investidores individuais. Como os quartos do Days Inn são pequenos - têm de 16 a 18 metros quadrados -, o valor médio de um quarto para o investidor deverá ser inferior ao praticado pela maior parte do mercado. O objetivo da Vert Hotéis é comercializar cada unidade por algo entre R$ 100 mil e R$ 120 mil. Como o valor das diárias é baixo, Mielmiczuk alerta que a rentabilidade do negócio dependerá de uma taxa de ocupação de pelo menos 70% nos empreendimentos.

Nos Estados Unidos, as unidades Days Inn funcionam em prédios baixos e horizontais, em grandes terrenos - um modelo que deve ser copiado por aqui em cidades do interior onde haja disponibilidade de espaço. O sócio-diretor da consultoria Hotel Invest, Diogo Canteras, diz que trata-se de um hotel "budget" (econômico) clássico do mercado americano, que concorre com marcas como Econolodge e Motel 6.

Segundo José Ernesto Marino Neto, presidente da consultoria especializada em hotelaria BSH, o segmento econômico tem o maior potencial de expansão no Brasil. "É este tipo de hotel que vai atingir a classe C, este público que está viajando e se hospedando em hotéis pela primeira vez. É um consumidor muito sensível a preço", diz. Por essa razão, afirma Marino Neto, várias marcas estrangeiras do segmento popular estão considerando uma operação no Brasil.

Cuidados. Embora hoje realmente haja carência de hotéis no País, especialistas afirmam que o mais correto é analisar o setor dentro de três ou quatro anos, quando os empreendimentos que começarão a ser construídos agora devem ficar prontos. "É preciso analisar a situação com muito cuidado. Há um risco grande de superoferta de hotéis em vários mercados, tanto em capitais quanto no interior", diz Canteras.

Outro questionamento do sócio da Hotel Invest é relativa à força da marca Days Inn no Brasil. Apesar de ser realmente forte nos Estados Unidos, Canteras afirma que o nome Days Inn significa para o brasileiro tanto qualquer outro hotel do interior. "Não há nenhum diferencial de marca por aqui", diz o especialista. "No México, um mercado altamente influenciado pelo americano, talvez fosse diferente."

A preocupação de o Brasil não fazer feio na Copa do Mundo de 2014 pode levar a uma superoferta de hotéis em algumas capitais brasileiras. O caso mais grave, de acordo com pesquisa da Hotel Invest, é o de Belo Horizonte. Na capital mineira, o número de quartos disponíveis vai dobrar até 2015, com a inauguração de 46 empreendimentos. A expansão é um reflexo direto da Lei 9.952, de 2010, conhecida como "Lei da Copa", que deu às incorporadoras o direito de duplicar a área construída em seus terrenos caso eles fossem destinados à construção de hotéis. Com isso, a taxa de ocupação dos hotéis da cidade deverá cair dos atuais 69% para 48%, segundo a Hotel Invest.

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