Nova Bolsa prevê aval de acionistas em abril; ações sobem

A Bovespa e a Bolsa de Mercadorias &Futuros (BM&F) esperam receber até o final de abril a benção deseus acionistas para a integração que criará a terceira maiorbolsa do mundo em valor de mercado. A companhia, batizada provisoriamente de Nova Bolsa, serádividida igualmente entre as duas instituições originais. Paraviabilizar essa "união de iguais", os acionistas da Bolsa deValores de São Paulo receberão 1,24 bilhão de reais da BM&F --oque representa bonificação de 1,76 real por ação . "Nós participaremos efetivamente como grande player global,é uma nova visão geopolítica", afirmou Raymundo Magliano,presidente da Bovespa. Na véspera, as instituições anunciaram a aprovação daintegração pelos conselhos de administração. Além do aval dosacionistas, o acordo precisa ser validado pelos órgãosreguladores do mercado e da concorrência. A estimativa preliminar é de que a reorganização societáriapoderá, até 2010, gerar uma economia de até 25 por cento nasdespesas operacionais anuais --que hoje são de 250 milhões dereais para cada bolsa. "O que vamos economizar é na infra-estrutura. Essassinergias serão obtidas principalmente em tecnologia", disse odiretor-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Entre analistas, a avaliação do negócio é positiva e vistacomo um fator que pode dar força para o Brasil liderar umprocesso de consolidação das bolsas na região. As ações das duas bolsas decolaram mais de 10 por cento noinício do pregão. Às 13h53, os papéis da Bovespa Holdingavançavam 5,84 por cento, para 26,30 reais, e os da BM&F subiam3,75 por cento, a 17,43 reais --ainda abaixo do preço deestréia no ano passado, de 20 reais. "Esse nível de preços mostra uma relação justa entre asbolsas", avaliou Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa daPlanner. O gerente lembrou que, no momento da oferta inicial(IPO), havia uma certa euforia no mercado. "QUEM SABE FAZ A HORA" O acordo dará musculatura para que a Nova Bolsa cresça naregião, mas os executivos das duas instituições destacaram queainda há espaço para expansão em negócios no próprio país."Diferentemente das economias maduras, em que as bolsasprecisam comprar outras bolsas para crescer, temos muito o queexpandir em volume", disse Edemir Pinto, diretor-geral da BM&F. Mifano acrescentou que estão sempre de olho em boasoportunidades de aquisição ou parceria, mas não vênecessariamente o momento atual --de crise externa, com baixano valor de diversos ativos fora do Brasil-- como uma ocasiãoespecial para compras. Questionado se as turbulências não seriam um obstáculo àintegração, Mifano citou que a crise não é do país. "Estamosnum contexto positivo no Brasil... e, como dizia o poeta, 'quemsabe faz a hora', este é o momento sim." Mesmo depois das aprovações finais, a união será gradual.Um comitê de transição funcionará até 31 de dezembro paratrabalhar na integração de estruturas importantes, como a dasclearings. Caberá a esse comitê indicar, em até 60 dias após aaprovação do negócio pelas assembléias gerais, o novopresidente do conselho e o novo diretor-geral --para que sejameleitos pelo conselho de administração da Nova Bolsa.

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