Nova CEO diz que nada muda na HP e ações recuam

Analistas questionam capacidade de Meg Whitman de comandar um grupo com uma atuação importante no mercado corporativo

AARON RICADELA, BLOOMBERG NEWS , O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h06

A nova presidente da HP, Meg Whitman, disse que deve manter as estratégias que começaram a ser implementadas pelo seu predecessor, Léo Apotheker, apostando que os investidores preferem uma liderança firme no lugar de mais uma mudança de rumo desestabilizadora.

Meg Whitman, em sua primeira entrevista como CEO da HP, disse que foram mantidos os planos de compra da fabricante britânica de software Autonomy Corp., por US$ 10,3 bilhões. A companhia também vai continuar analisando se vende ou desmembra a sua divisão de computadores pessoais. Essas medidas já tinham sido anunciadas em 18 de agosto. "Não é sinal de que haverá uma mudança da estratégia", disse ela, referindo-se à sua indicação para o cargo. "Corroboramos as ações decididas em 18 de agosto. Estamos firmemente comprometidos com a Autonomy."

Meg Whitman está seguindo à risca os planos para evitar um afastamento dos acionistas, que estavam fartos das idas e vindas que caracterizaram o reinado de Apotheker. Mas a HP está pagando um valor excessivo pela Autonomy e não devia ter anunciado uma possível venda da sua unidade de PCs sem um plano concreto, segundo Chris Whitmore, analista do Deutsche Bank.

"Vamos ter mais do mesmo com Meg Whitman na direção, igual à administração de Léo Apotheker", disse Whitmore. "A direção não vai mudar a estratégia e continuará seguindo o mesmo caminho, o que francamente era o temor." Ontem, as ações da empresa caíram 2,11% em Nova York.

Léo Apotheker, que foi presidente da HP durante menos de 11 meses, foi demitido na quinta-feira depois reduzir por três vezes as previsões de vendas e fazer mudanças de estratégia que confundiram os investidores.

Desânimo. O desafio de Meg Whitman será aumentar a receita e, ao mesmo tempo, acalmar os investidores, cujo desânimo com a empresa provocou um mergulho de 47% das ações da companhia durante o mandato de Apotheker. Ela disse que a empresa decidirá o futuro das unidades de computadores pessoais o mais breve possível.

"Vamos decidir o mais rápido possível", disse. "Sabemos que incertezas não contribuem para os negócios, não ajudam os clientes e tampouco os acionistas."

A experiência de Meg Whitman é com companhias direcionadas para o consumo, como eBay, Procter & Gamble e Hasbro, o que significa que ela não tem muita prática em dirigir unidades da HP voltadas para o setor de computação, disse Shaw Wu, analista da Sterne, Agee & Leach. "Ela vai ficar sob uma vigilância acirrada", disse Wu. "Ela não tem experiência para dar uma reviravolta na HP."

"Dirigi uma grande companhia - obviamente não tão grande como a HP, mas era uma empresa muito grande", disse ela. "Embora não tenha anos de experiência numa empresa desta área, adquiri muito software. Fui uma das maiores clientes empresariais do Vale do Silício."

"É como dizer, 'comprei um iPhone, posso comandar a Apple'", disse Whitmore, do Deutsche Bank.

Meg Whitman precisará reunir os diversos grupos operacionais da HP - incluindo os de computação, de centros de dados, serviços de tecnologia, impressoras e software, de modo que trabalhem como uma equipe, disse Ray Lane, presidente do conselho, em entrevista.

Ele elogiou a habilidade da nova CEO para comunicar a estratégia da empresa. "O mercado está um pouco confuso porque atuamos em áreas muito diferentes", disse ele. "E 90% têm a ver com liderança, comunicações e execução operacional."

Ray Lane, que tinha pensado em assumir o cargo de CEO, disse que os executivos da HP não estavam trabalhando bem sob a gestão de Apotheker. Ao explicar porque contratou uma pessoa de fora da empresa, Ray Lane afirmou que os executivos de dentro da companhia "não estavam prontos" para assumir a função. Meg Whitman, de 55 anos, ajudou a transformar o eBay num dos maiores sites de leilão do mundo, com um valor de mercado de US$ 40 bilhões.

Sob a sua direção, as ações do eBay passaram a ser negociadas em bolsa e ela criou uma vitrina online para milhares de pequenas empresas oferecerem seus produtos. Mas, nos seus últimos anos à frente do eBay, não conseguiu reverter a desaceleração do crescimento nas vendas e pagou um valor excessivo pelo Skype, depois de uma guerra de lances com Google e Yahoo.

Meg Whitman entrou para o conselho de administração da HP em janeiro, depois de disputar o governo da Califórnia e ser derrotada. Antes do eBay, trabalhou como executiva da empresa de brinquedos Hasbro, para a FTD, a fabricante de calçados Stride Rite e a Walt Disney. A HP contabilizou uma receita de mais de US$ 126 bilhões no ano fiscal passado, quase 14 vezes o montante de vendas do eBay. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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