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Nova classe média pode encolher na AL

Movimento deve ser provocado pelo freio no preço das commodities, segundo participantes de seminário do FMI

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2013 | 02h09

A nova classe média latino-americana, que ocupou as páginas dos jornais de todo o mundo com protestos de rua neste ano, pode encolher em um cenário de "vacas magras" provocado pelo fim do boom de commodities que impulsionou as exportações da região na última década e meia, alertaram ontem participantes de seminário realizado na reunião de outono do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Além de encontrar caminhos que evitem o retrocesso, a região enfrenta o desafio de gerar espaço fiscal que permita aos Estados atender às demandas por mais e melhores serviços públicos apresentadas em países como Brasil, Chile e Peru.

"A redução nas exportações de matérias-primas terá de ser compensada com crescimento, com aumento de produtividade e eficiência", afirmou Enrique Iglesias, o ex-diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento que hoje é secretário da Cooperação Ibero-americana.

Para ele, a expansão é necessária para impedir que milhões de pessoas que ascenderam nos últimos anos voltem à pobreza.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, apresentou dados impressionantes sobre a mudança na estrutura social da região. O número de pobres caiu de 44% para 27% da população entre 2003 e 2011 e hoje há mais pessoas na América Latina que pertencem à classe média do que à pobreza.

Mas as estatísticas foram questionadas por Nancy Birdsall, presidente do think tank Center for Global Development, com sede em Washington. "Há um novo pobre na América Latina, que não é extremamente pobre, mas continua a ser vulnerável." Birdsall ressaltou que há uma definição monetária de classe média, que se refere àqueles com renda igual ou superior a US$ 10 ao dia - ou US$ 3.600 em um ano. Mas a maioria dos integrantes do grupo que ascendeu está abaixo desse patamar, disse, com renda entre US$ 4 e US$ 5.

Fernando Lorenza, ministro das Finanças do Uruguai, defendeu a retomada da agenda de reformas na América Latina, para que seja aberto o caminho de crescimento sustentável e ampliação de serviços público.

Em sua opinião, o país da região com pressão fiscal "mais aguda" é o Brasil. "Não é algo simples fazer uma reforma fiscal." A visão pessimista do fim da forte expansão das commodities foi questionada pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para quem o crescimento brasileiro será sustentado por um câmbio mais competitivo e a recuperação gradual das economias desenvolvidas.

Coutinho ressaltou ainda que PPPs e concessões de serviços públicos são o caminho para atender a demanda por infraestrutura no cenário de baixa poupança doméstica, limitada capacidade fiscal e escassez de crédito de longo prazo que caracteriza a região.

Em entrevista depois do evento, ele contestou a conclusão do FMI de que a situação fiscal no Brasil se deteriorou. Mas reconheceu que é necessário aperfeiçoar o sistema tributário.

O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, sustentou que o Brasil está pronto para enfrentar o período de vacas magras e de mudanças que virão com a retirada dos estímulos monetários nos Estados Unidos, que deve começar no fim do ano.

"O Brasil se preparou para tempos de reversão do sentimento de mercado por meio da manutenção dos seus fundamentos macroeconômicos, dos níveis de dívida, da inflação sob controle", afirmou o diretor.

"Acreditamos que estamos com condições de continuar o processo de recuperação gradual com estabilidade." "Vamos poder reforçar a nossa estabilidade macroeconômica e dar previsibilidade aos nossos agentes para que eles possam continuar o processo de recuperação da economia brasileira e recuperação gradual do investimento e do crescimento." / COLABOROU ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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