Nova descoberta da Petrobras não mexe com ações

Segundo analistas, as ações da estatal já embutiam essa valorização

Nicola Pamplona e Kelly Lima, da Agência Estado,

13 de junho de 2008 | 19h41

O anúncio da descoberta de Guará, na Bacia de Santos, não empolgou o mercado financeiro, que ainda espera por dados mais concretos sobre o volume das reservas encontradas pela Petrobras na região. O sucesso na perfuração de novos poços abaixo da camada de sal já era esperado desde o anúncio de Tupi, em novembro do ano passado.   Veja também: Petrobras anuncia nova reserva no pré-sal A exploração de petróleo no Brasil  Preço do petróleo em alta       Segundo analistas, as ações da estatal já embutiam essa valorização. Nesta sexta-feira, em dia de leve baixa do Ibovespa (-0,17%), os papéis preferenciais da companhia subiram 1,59%. No dia do anúncio de Tupi, por exemplo, a alta foi superior a 10%.   Um geólogo que acompanha de perto os trabalhos na Bacia de Santos diz que Guará "não é Tupi", mas certamente trata-se de um campo gigante de petróleo, categoria na qual se enquadram reservas superiores a 500 milhões de barris. Para ele, há boas chances de que alguns dos reservatórios encontrados estejam interligados, conforme especula o relatório que o Citigroup distribuiu hoje. A confirmação desse fato, porém, só poderá ser feita após a perfuração de novos poços.   Tupi é o único projeto da região com estimativa de reservas já especificada - entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris. Depois dele, a estatal anunciou outras três descobertas, nos projetos Júpiter, Bem-te-vi e Carioca. A de ontem, em Guará foi a quarta. Mas, a estatal alega precisar de maiores estudos para dimensionar o tamanho das jazidas. Portanto, analistas continuam trabalhando sobre expectativas gerais, que indicam a presença de volumes entre 56 bilhões e 70 bilhões de barris na região.   A corretora Ativa, uma das poucas instituições financeiras a divulgar relatório hoje sobre o assunto, afirmou que a descoberta é positiva, mas não surpreendeu. "Conforme temos comentado, deveremos continuar com esse fluxo de notícias positivas quanto a descobertas, dada a proximidade do vencimento do prazo de áreas que estão sob avaliação da estatal, que possui um prazo pré-determinado no leilão de concessão para essa primeira indicação", escreveu a analista Mônica Araújo.   Para ela, o sucesso na perfuração amplia o "conjunto de perspectivas positivas quanto a reservas provadas a serem confirmadas com a continuidade das avaliações". Já analistas do Citigroup disseram esperar maiores detalhes sobre a mais recente descoberta da estatal só depois da perfuração de um poço na concessão adjacente, BM-S-22, para onde o reservatório pode se estender. "Esta descoberta estimulará novamente o debate sobre se Carioca, junto com Guará, são uma e a mesma estrutura compacta", afirmou o banco.   Uma fonte informou que o poço descobridor de Guará ainda não chegou ao objetivo final e deve avançar ainda mais 200 metros de profundidade. O reservatório encontrado pela estatal fica a cerca de 5 mil metros abaixo do fundo do mar. Atualmente, a Petrobrás tem sondas operando nos blocos BM-S-9, BM-S-11 e BM-S-12.

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