Nova doença ameaça laranjais de São Paulo

Uma doença desconhecida nos pomares paulistas de laranja, cujos sintomas e testes feitos no Brasil e na França descartam a relação com qualquer tipo de praga já relatada, está preocupando os agricultores. Segundo a Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a doença foi relatada pela primeira vez em março nas regiões Centrale Sul do Estado, apontadas como as novas fronteiras citrícolas do parque comercial brasileiro, principalmente por não registrarem até agora casos de morte súbita dos citros, última doença relatada.Os sintomas da doença aparecem tanto na árvore, como nos frutos. Ainda não se sabe também se ela é causada por um fungo, bactéria ou vírus. De acordo com o Fundecitrus, os ramos das plantas atingidas ficam amarelados, parte da árvore fica sadia e outra é atingida. Há também casos de desfolha, queda nos frutos e deformações nas laranjas, principalmente nos gomos. Anda não há levantamento sobre a área de ação da nova doença. As cidades mais atingidas até agora são Araraquara, São Carlos, Taquaritinga, Tambaú, Itirapina, Avaré, São Simão, Rincão, Matão e Boa Esperança do SulA incidência da doença já atinge 100% das árvores e um alto grau de severidade em pomares acompanhados pela Fundecitrus. De acordo com o secretário-geral da entidade, Nelson Gimenes Fernandes, "o problema é muito grave porque há pouca informação sobre essa praga", disse. A única ação é a mesma adotada para a morte súbita dos citros. "Muitos produtores optaram por arrancar as árvores doentes e por queimá-las. Outros, adotaram a poda dos ramos contaminados", afirmou Gimenes.Os impactos econômicos da doença ainda são uma incógnita para o setor, mas a união de vários fatores pode explicar a gravidade da praga. "A doença nasceu no coração da citricultura brasileira e não tem direção para se espalhar, ao contrário da morte súbita. Não sabemos a velocidade com que ela se espalha. É uma soma de problemas e a doença está livre para progredir com rapidez", disse o presidente do Fundecitrus, Ademerval Garcia.O presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio de Carvalho Pinto Viegas, fez duras críticas ao sigilo adotado pelo Fundecitrus e pela indústria, que só divulgou a nova doença quatro meses após o primeiro relato. "É um absurdo. As lideranças citrícolas e os produtores deveriam estar acompanhando esse problema de perto. Por isso, eu sequer tenho condições de avaliar essa doença neste momento", afirmou.A doença deverá ser um dos principais temas da Câmara Setorial de Citricultura do Ministério da Agricultura, criada há quase um ano, mas que será instalada somente na próxima sexta-feira. O evento será na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro e deverá contar com a presença do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

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