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Nova dose de juros

Projeções mais realistas do Relatório de Inflação parecem ter sido o jeito encontrado pelo BC para justificar as novas pancadas na Selic

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2015 | 22h47

O Relatório de Inflação divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Central deixa transparecer mais realismo nas projeções sobre o desempenho da economia.

Deve ter sido o jeito encontrado pelo novo diretor de Política Monetária, Altamir Lopes, para justificar as novas pancadas de juros em preparação, justamente quando crescem as críticas de especialistas sobre o que chamam de despropósito dessa intenção.

(Antes de prosseguir, quem não está acostumado com a liturgia do Banco Central deve saber que esse relatório, que sai a cada trimestre, é um documento que, nesta edição, tem 108 páginas. Lá está dito tudo quanto o Banco Central acompanha a respeito do comportamento da inflação e como pretende controlá-la. Deve ser entendido como peça imprescindível na comunicação do Banco Central destinada a fazer a cabeça do mercado financeiro e dos “fazedores” de preços).

As coisas pioraram e tendem a piorar ainda mais. A evolução do PIB (renda nacional) neste 2015, avaliada em recuo de 2,7% no relatório do terceiro trimestre, caiu ainda mais neste último, para -3,6%. Para 2016, o PIB resvala para -1,9%, ainda assim, uma projeção bem mais otimista do que a apontada pelo mercado, cujos analistas passaram a trabalhar com -2,8%, como mostra a Pesquisa Focus.

Em relação à inflação, principal foco de interesse do Banco Central, as projeções também indicam quadro bem mais preocupante do que o admitido há meses. Para este 2015, ficará em 10,8% (e não mais em 9,5%); e para 2016, em 6,2% (e não, 5,3%).

Para quem chegou a prometer a convergência para o centro da meta (4,5%) ainda em 2016, esta é uma postura mais de acordo com a atual dinâmica negativa da economia. Carrega o reconhecimento implícito de que tantos erros de projeção mostram certo nível de descolamento do mundo real por parte das autoridades da área monetária, o que não deixa de prejudicar sua credibilidade com os agentes econômicos, qualidade que deveria ser seu principal capital.

O Banco Central tem se situado tão a reboque dos fatos que até mesmo números mais consistentes, como os de agora, acabam sendo tomados com desconfiança.

Para justificar novas projeções, o Relatório reconhece que o realinhamento de preços foi bem mais longe e mais demorado do que o previsto, que as incertezas na área fiscal aumentaram e  o balanço de riscos é bem maior do que há alguns meses.

De todo modo, o resultado geral foi a transmissão do recado, desta vez bem mais claro, de que a alta dos juros continua no primeiro semestre de 2016, com o objetivo de cortar as asas da inflação. É uma posição tomada com firmeza, provavelmente para neutralizar respeitáveis opiniões, como a do ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, que vem criticando esse novo aperto.

Essa clareza é também a forma como as autoridades da área monetária comunicam sua rejeição à tese da dominância fiscal. Esta é a situação em que as contas públicas estão tão desequilibradas que entopem os canais pelos quais atua a política de juros destinada a combater a inflação.

Aí estão as projeções da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) para a composição da matriz energética mundial até 2040.

A pressão dos emergentes

Em seu relatório anual denominado ‘Perspectiva do Petróleo no Mundo’, a Opep prevê que os preços do petróleo, que acabam de atingir o nível mais baixo em 11 anos, aumentarão para US$ 70 por barril em 2020 e para US$ 95 em 2040. Os analistas da Opep entendem que a demanda aumentará em consequência do aumento das necessidades dos países emergentes.

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