Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

‘Nova Eletrobras’ estreia em queda na Bolsa; veja o que esperar da empresa, agora privada

Ações da empresa operam com recuo nesta segunda-feira; acionistas terão de definir novos conselho de administração e diretoria para lidar com questões como a administração de passivos

Luciana Collet*, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2022 | 10h00

A 'nova Eletrobras', agora uma empresa privada, viu suas ações estrearem em queda na B3 nesta segunda-feira, 13. Às 10h50, os papéis registravam queda de 2,51%, cotados a R$ 39,97. Quem comprou as ações na semana passada, dentro do processo de capitalização da empresa, pagou R$ 42. Mas não é só a Eletrobras que cai nesta manhã. A Bolsa como um todo opera com recuo de 2,68%.

A conclusão da privatização da Eletrobras, porém, é apenas o pontapé inicial na mudança do perfil da companhia. Com a emissão das novas ações e a diluição da fatia da União no capital da empresa, o novo corpo de acionistas precisará definir um novo Conselho de Administração, que por sua vez escolherá uma nova diretoria.

Controle difuso

Já existe uma significativa expectativa no mercado sobre a futura composição do conselho de administração da Eletrobras, que terá papel importante de ditar o rumo da empresa. Isso porque, com a capitalização, a empresa passará a ter controle difuso e nenhum acionista terá poder de voto superior a 10% do capital votante - nem mesmo a União, que permanecerá com fatia relevante, de cerca de 45% do capital votante.

Analistas afirmam que o futuro comando da elétrica precisará trabalhar em redução de custos e otimização de processos. Profissionais de mercado apontam que as ações da Eletrobras subiram cerca de 200% nos últimos anos sem a demonstração, por parte da empresa, de melhorias operacionais que justificassem tal valorização. Muito embora ganhos de eficiência tenham sido observados na companhia desde 2016, quando, sob a gestão de Wilson Ferreira Junior, houve significativa redução do quadro de pessoal e consolidação do centro de serviços compartilhados (CSC), entre outras iniciativas, analistas afirmam que empresas privadas de energia chegam a ser três vezes mais eficientes do que a Eletrobras. 

Passivos contigentes

Outra frente de esperada melhoria é a administração de passivos contingentes. A Eletrobras encerrou março de 2022 com R$ 33,8 bilhões em provisões para litígio. Desse total, R$ 25,6 bilhões se referem aos processos do empréstimo compulsório, um imbróglio que se arrasta há décadas. A expectativa é que, sob uma gestão privada, a companhia terá mais liberdade para buscar acordos e encerrar processos, a exemplo do que foi feito após a privatização da geradora paulista Cesp - atual Auren Energia.

Investidores também se interessam pelo plano de longo prazo da Eletrobras, com a perspectiva de que, sob a nova gestão privada, a empresa possa voltar a ter uma atuação mais ativa na expansão da matriz elétrica brasileira, investindo em novas capacidades de geração, em especial usinas eólicas e solares. Ao mesmo tempo, esperam que a companhia estruture uma área de negócios de comercialização de energia, para melhor gerenciar a venda de sua produção. O entendimento, porém, é que qualquer movimento neste sentido levará mais tempo. / *COLABOROU LUDMYLLA ROCHA 

 

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