Nova empresa de cartões da Cielo e BB tem lucro de R$ 578 milhões em um ano

A empresa, que ainda não tem nome, terá 500 funcionários; Cielo terá 70% do capital societário e BB, 30%

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2014 | 11h39

O lucro líquido pro forma da nova empresa (joint venture) que Cielo e Banco do Brasil vão criar para atuar na gestão de cartões, confirmada nesta quarta-feira como antecipou a Agência Estado, foi de R$ 578 milhões de setembro do ano passado até o mesmo mês de 2014. A informação é de Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo. "Não é casca. A empresa nasce com receitas, funcionários etc", destacou ele, em teleconferência com a imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira, 20.

O lucro pro forma é um termo contábil usado para definir o resultado de empresas ainda não aprovado por auditorias. Pode ser, portanto, o lucro de empresas formadas por joint ventures, em que há uma junção de duas companhias, mas que ainda não estão efetivamente funcionando.

De acordo com o executivo, a nova empresa, que ainda não tem nome, terá 500 funcionários. A divisão de receitas entre os acionistas seguirá o arranjo societário definido, sendo 70% para a Cielo e 30% para o BB. A adquirente indicará três membros do conselho da joint venture que serão, conforme Mello, executivos da Cielo. Já o BB indicará os outros dois.

O CEO da nova empresa, cujo nome ainda não definido pelos seus sócios, também ficará a cargo da Cielo. Segundo Dias, o executivo pode ser tanto da própria adquirente como do mercado.

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Joint Venture com BB em cartões tem zero impacto para lojista e consumidor - presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias
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As conversas entre BB e Cielo sobre a joint venture em cartões tiveram início, de acordo com ele, no começo de 2014, mas foram interrompidas em maio por não chegarem a um acordo. "Interrompemos as conversas em maio e retomamos recentemente. O BB nos procurou e trouxe ideias novas e nós também", resumiu o presidente da Cielo, sem dar mais detalhes.

A nova sociedade a ser constituída por BB e Cielo terá o direito de explorar as atividades de gestão das transações de contas de pagamento pós-pagas e de gestão da funcionalidade de compras via débito de arranjos de pagamentos. A adquirente aportará R$ 8,1 bilhões na joint venture, cujos recursos virão de uma emissão de debêntures com garantia firme. A nova companhia está avaliada em R$ 11,6 bilhões. 

Na prática, caso as debêntures não sejam aceitas em sua totalidade pelo mercado, os bancos coordenadores da emissão comprometem-se a subscrever o restante dos papéis. As instituições que estão estruturando a operação, segundo apurou o Broadcast, são Bradesco, BB e BTG Pactual. 

A dívida bruta da Cielo aumentará de cerca de R$ 2,5 bilhões para R$ 10,1 bilhões com a emissão de debêntures que a adquirente fará para aportar na nova joint venture que terá com o Banco do Brasil, segundo o presidente da Cielo. O índice dívida líquida/ebitda ajustado passará de 0,5 vez para 1,6 vez, conforme ele.

Outras bandeiras. O objetivo estratégico da joint venture que Cielo e Banco do Brasil estão estruturando para atuar na gestão de cartões é trabalhar com outros emissores e bandeiras, segundo Mello Dias. "Um dos objetivos principais da nova companhia é estar aberta a novas emissões e não atuar somente com o Banco do Brasil", destacou ele.

O fechamento de parceria com outros emissores e bandeiras, de acordo com Dias, é um caminho para diversificação de receitas da joint venture. Possíveis acordos, segundo o executivo, podem ter formatos e precificação diferentes do adotado com o BB.

Sobre uma possível inserção do Bradesco na empresa, o presidente da Cielo disse que é "improvável". Isso porque, conforme lembrou ele, o banco firmou no passado acordo com a Fidelity no processamento de cartões. Dias afirmou ainda que a joint venture da Cielo com o BB em cartões não trará impacto algum para o lojista nem para o consumidor.

Na prática, após a conclusão da joint venture, que depende de autorização do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o BB ficará responsável pelo risco de crédito e relacionamento com o cliente. Já a joint venture, cujo nome ainda não foi definido, fará a gestão de contas de pagamento, o apoio ao gerenciamento e controle da segurança das transações e o pagamento de tarifas às bandeiras e arranjos de pagamentos.

A remuneração por essas atividades será por meio da taxa de intercâmbio sobre as transações de crédito e débito realizadas com cartões emitidos pelo BB. "Os contratos atuais serão mantidos. A taxa de intercâmbio será a principal fonte de receita da joint venture, da qual a Cielo terá 70%", acrescentou ele, em teleconferência com analistas. 

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