Nova estratégia para o café do cerrado de MG

Produto da região quer ser reconhecido no mercado consumidor como ético, rastreável e sustentável

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

Pelo menos 600 pessoas, entre produtores de café e lideranças do setor, participaram ontem, em Uberlândia (MG), do lançamento da estratégia de marca para o café produzido na região do cerrado mineiro. A nova estratégia substitui, por exemplo, o nome Café do Cerrado pela nomenclatura oficial da indicação geográfica: Região do Cerrado Mineiro.

"É mais que uma mudança de nome, é uma maneira de incorporar ao produto os cafeicultores e a história da cafeicultura na região. É uma mudança de percepção do produto diante do consumidor", diz o diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, com sede em Patrocínio, José Augusto Rizental. Segundo ele, o conceito de "Café de Atitude", que a federação pretende transformar em uma espécie de marca do produto, tem como objetivo atrair investimentos do Brasil e exterior para parcerias com produtores. "É uma forma de promover o desenvolvimento socioeconômico da região. Se antes nosso foco era o produto, agora são as pessoas."

Com a estratégia, a entidade quer que o consumidor saiba que, além de qualidade, o produto da região tem procedência, rastreabilidade, é ético e sustentável. A região do cerrado mineiro, que abrange 55 municípios e 4.500 cafeicultores, é a única do Brasil a possuir indicação geográfica para o café.

Também foi a primeira região do País a obter a certificação de gestão de qualidade ISO 9001 e a criar um programa de certificação. Hoje, mais de 70% do volume produzido na região - 5 milhões de sacas - é exportado. "Como exportadores sentimos que está surgindo um novo tipo de consumidor, jovem, que busca informações novas sobre determinado produto. A ideia é que nosso café seja reconhecido nesse universo, como ocorre hoje com o café colombiano", diz Rizental.

Premiação. A disputa Rainforest Alliance Annual Cupping tem mais uma vez um representante do Brasil entre os finalistas: a Ipanema Coffees, de Alfenas (MG). O lote de café arábica Bourbon Amarelo, cereja descascado, ficou em 1.º lugar entre os cafés brasileiros e em 5.º lugar no ranking mundial.

E, no dia 26, em São Paulo, será lançada a 7.ª Edição Especial dos Melhores Cafés do Brasil - Safra 2010/2011.

Estoques

A Conab começou a levantar, entre armazenadores, produtores, cooperativas, exportadores e indústria, os estoques da iniciativa privada. Os dados ajudam a compor o quadro de oferta e demanda de café no País. Em 2010 o volume foi de 8,9 mi de sacas.

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