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Nova geração do GP tenta repetir trajetória de Lemann

Empresa de investimentos criada por Jorge Paulo Lemann, da AmBev, faz em três dias aporte de R$ 3 bilhões

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

Entre sexta-feira e domingo, a GP Investimentos selou duas aquisições bilionárias - pagou US$ 1 bilhão pela operação latino-americana do grupo petrolífero Pride International e, em seguida, R$ 1,24 bilhão pela mineradora Magnesita. Trata-se de um valor igual ao já investido pela companhia em 14 anos. A velocidade e o porte das compras revelam uma face renovada e ainda mais ambiciosa da empresa de investimentos criada no início dos anos 90 por Jorge Paulo Lemann, fundador da AmBev.A GP não tem Lemann como acionista há pelo menos três anos, mas a nova geração de sócios se inspira na sua trajetória de sucesso, principalmente fora do País. "A internacionalização é um assunto muito presente para eles. E a InBev é o grande caso de sucesso para os donos da GP", diz um ex-sócio de uma das 42 empresas em que a GP investiu até hoje. "O (Antonio) Bonchristiano e o Fersen (Lambranho) formam um duo que segue os passos do trio Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, da AmBev."Atualmente, a GP tem nove sócios, muitos deles com menos de 40 anos. O mais jovem, Danilo Gamboa, entrou para o clube no ano passado, aos 32 anos. Bonchristiano, sócio desde 1995, e Lambranho, que veio três anos mais tarde, detêm 60% da holding que controla a GP e são os únicos que ficaram com ações com direito a voto depois da abertura de capital da companhia, em 2006. Embora a grande maioria dos atuais donos não tenha passado pelo Banco Garantia, de Lemann, todos herdaram, direta ou indiretamente, o mesmo estilo agressivo e ousado do fundador.O jeito GP de administrar não é original. É uma mistura de lições do banco Goldman Sachs, da rede Wal-Mart e da sua experiência própria. Ele segue uma fórmula que inclui obsessão por redução de gastos, premiação de funcionários pelo desempenho (prática conhecida como meritocracia)e contratação de profissionais jovens e cheios de entusiasmo.A filosofia de comandar empresas foi mantida pela atual geração. No entanto, as experiências bem e malsucedidas ao longo de mais de uma década trouxeram algumas diretrizes novas para o grupo. A GP não tem preferência por setores, mas não quer mais fazer investimentos minoritários nem em empresas que comecem do zero.O Submarino foi um caso de sucesso, mas a agenda online Elefante e o site de carros Webmotors estão na lista dos erros cometidos pela empresa. Na Telemar, a GP quer sair porque não consegue mandar na empresa como gostaria. Ela divide o controle com a Andrade Gutierrez e o Grupo La Fonte, de Carlos Jereissati. "Nossa estratégia atual é um refinamento de estratégias anteriormente aplicadas pelo Grupo GP, e está mais adaptada ao ambiente brasileiro e às nossas principais habilidades", disseram os acionistas no prospecto de abertura de capital.Outra diferença é que o grupo agora administra um caixa poderoso. Além dos R$ 705,9 milhões levantados na abertura de capital, um dinheiro que pertence à própria GP, ele acabou de concluir a captação de um fundo de R$ 1,025 para comprar empresas com faturamento mínimo de R$ 100 milhões. Em 14 anos, a GP captou US$ 2,5 bilhões, aplicou US$ 1,4 bilhão na compra de participação em 40 companhias (sem incluir Magnesita e Pride) e vendeu - parcialmente ou integralmente - posições em 31 delas.NÚMEROS>US$ 1,6 bilhão foi gasto na compra da Magnesita e da unidade latino-americana da Pride International>US$ 1,4 bilhãohavia sido investido pela empresa até quinta-feira, em 14 anos de atuação da GP>42 empresas já receberam investimento da GP

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