Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Nova meta fiscal eleva significativamente risco de rebaixamento do Brasil, diz banco

Com a redução da meta para apenas 0,15% do PIB, discussão em torno do rating soberano e da manutenção do grau do investimento do Brasil volta ao foco dos mercados

O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2015 | 16h42

SÃO PAULO - As novas metas de superávit primário anunciadas ontem pelo governo elevam significativamente as chances de o Brasil ter o rating rebaixado, segundo análise do banco UBS. Relatório assinado pelo economista-chefe Guilherme Loureiro afirma que as novas metas, apesar de serem mais realistas, são muito baixas para sinalizar uma melhora contínua nas contas públicas.

"As novas metas não são suficientes para estabilizar a dívida pública no Brasil até 2018. As agências de rating têm dado o benefício da dúvida ao governo, contanto que a gente continuasse a ver progressos no aperto fiscal e desde que as dinâmicas de dívida se estabilizassem após a piora em 2015/2016", aponta o texto. 

Com as novas metas, o UBS diz que a probabilidade de a dívida bruta superar 70% do PIB é alta e lembra que esse tem sido um patamar importante para a avaliação da Moody's. Assim, cresce a possibilidade de a agência cortar a nota brasileira e ainda assim manter a perspectiva negativa.

O banco suíço afirma ainda que, embora as políticas de austeridade possam estar afetando negativamente a economia no curto prazo, um superávit menor pode colocar em risco a previsão de uma recuperação na atividade no médio prazo, já que a estabilidade financeira é necessária para que o ambiente macroeconômico melhore e o PIB volte a crescer no futuro.

A agência brasileira Austin Rating se antecipou e rebaixou hoje mesmo a nota soberana em moeda estrangeira de BBB- para BB+, com perspectiva estável, segundo informado com exclusividade para o Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado. Com isso, o rating saiu do grau de investimento e caiu para o nível especulativo (junk). 

A agência de classificação de risco Fitch Ratings irá reavaliar as tendências fiscais do Brasil, ponto importante para sua decisão sobre se rebaixará o rating de crédito do país. A Fitch atualmente tem perspectiva negativa sobre a nota BBB do Brasil, o que significa que está avaliando se reduz a classificação de risco dentro dos próximos 12 a 18 meses.

Em um comentário divulgado hoje, a Fitch afirmou que a revisão das metas de superávit primário ressalta as dificuldades da consolidação fiscal e que a nova meta está abaixo do que havia sido presumido no cenário base de abril, quando fez a última revisão da nota do País. 

A missão regular da agência de classificação de risco Moody's estava no Brasil na semana passada e teve uma série de reuniões com a equipe econômica do governo. A decisão sobre o rating soberano do país deve ser anunciada nos próximos dias. Para a Moody's, o Brasil tem rating Baa2, com perspectiva negativa. A nota representa dois degraus acima do grau especulativo.

No início de 2014, a agência Standard & Poor's rebaixou o Brasil para BBB-, e alterou a perspectiva de negativa para estável. Em março deste ano, a S&P manteve a nota e a perspectiva do País, dizendo ter expectativa que o ajuste fiscal tenha apoio da presidente Dilma Rousseff e do Congresso Nacional. Das três principais agências, a nota da S&P para o País é a mais baixa, apenas um degrau acima do nível especulativo. (Álvaro Campos e Mateus Fagundes, da Agência Estado, com informações da Reuters)

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