Nova missão do FMI desembarca na Argentina

Desembarca hoje em Buenos Aires mais uma equipe técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI). Especialistas em reestruturação financeira estarão, junto com o Banco Central, verificando os números do sistema financeiro argentino. O acordo que o ministro de Economia, Roberto Lavagna, está tentando fechar com o FMI seria por um período de dois anos para dar tempo ao novo presidente, que será eleito em março próximo, de armar sua equipe, organizar a casa e preparar-se para enfrentar os vencimentos da dívida deste ano que estão sendo postergados para 12 meses mais.Apesar do trabalho dos técnicos, nenhuma medida ou avanço no acordo sairão antes do parecer da comissão de notáveis que trabalhou no país durante toda a semana passada. Tanto o FMI quanto o governo estão na expectativa do relatório que a comissão de notáveis deverá apresentar na próxima quinta-feira, contendo as recomendações sobre como resolver a situação econômica do país.O gerente geral do Banco Internacional de Pagamentos da Basiléia, Andrew Crockett, e os ex-presidentes dos bancos centrais da Alemanha, Hans Tietmeyer, do Canadá, John Crow, e da Espanha, Luis Rojo, farão três sugestões como pré-requisitos ao acordo com o FMI: manter a flutuação do dólar com intervenções limitadas para não queimar reservas; uma solução de fundo para frear as ações contra o "corralito" e cortar pela metade a emissão monetária. Além destes, a comissão repetirá velhos pedidos do FMI, como eliminar os bônus provinciais e a manutenção da independência do BC.Neste sentido, os economistas que estiveram reunidos com Andrew Crockett, afirmaram que lhe chamou a atenção a ausência de técnicos na diretoria do Banco Central. Segundo um destes economistas, Crockett considerou um "absurdo" o fato de que todos os cargos da diretoria sejam políticos. Por isso, estaria incluída no relatório a sugestão para que seja mudada a forma de eleição dos integrantes do BC. Se pensa, por exemplo, na criação de uma Junta Monetária composta, exclusivamente, por técnicos com decisão direta na política monetária e na intervenção no mercado cambial.Os notáveis, ao contrário do FMI, aprovam a intervenção do BC no mercado de câmbio para evitar disparadas do dólar. Porém, querem estabelecer uma regra pela qual o BC deva apresentar um saldo neutro das operações a cada 15 dias. Ou seja, o BC poderá perder reservas nas operações diárias, mas também deverá ter ganhos para que no final das contas possa obter um saldo, no mínimo, neutro, sem perder dinheiro.Sobre a política monetária, a comissão quer que esta seja mais restrita e firme com cortes, pela metade, da emissão monetária neste segundo semestre, passando de 7 bilhões para 3,5 bilhões de pesos. Os notáveis defendem uma âncora monetária e não uma âncora cambial. Sobre a solução para a "goteira" do "corralito", a comissão descarta a via do decreto presidencial em execução desde a semana passada, cuja inconstitucionalidade já foi declarada pela Justiça Federal.A comissão está propensa a emitir outra opinião contrária à do FMI em relação ao plano bônus de Roberto Lavagna. Enquanto o organismo deseja um plano compulsório de troca dos depósitos pelos bônus do Estado, os notáveis consideram que o momento não é adequado devido à falta de condições políticas e sociais para tanto. Uma opinião que vai de encontro à defesa do ministro de Economia. Segundo este economista, os notáveis dirão que somente após a implementação destas medidas será possível abrir o "corralito", gradualmente, primeiro para as pessoas físicas.Leia o especial

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