Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

SEM USO, BOTIJÃO DE GÁS ‘VIRA’ TELHA

Luzia já tinha juntado um pouco de madeira e sabia que poderia aprender, se alguém lhe ensinasse, a bater o barro para formar as paredes da casa de taipa. A mãe, Zilma (veja texto acima), lhe deu mil pregos de presente – eles eram necessários para unir os feixes que formam as caixas de madeira usadas para assentar a terra e garantir que as paredes parem em pé.

O Estado de S. Paulo

30 Maio 2015 | 16h43

Luzia Lopes Ribeiro, 48 anos, já fez de tudo um pouco. Trabalhou como carvoeira no Piauí, suou na lida da roça e limpou terrenos com um bebê de colo amarrado ao corpo. Ainda assim, não tinha um lugar decente para morar. Durante muito tempo, apertou-se em um barraco de menos de um metro de altura. Ela e os filhos tinham de se agachar para entrar em casa e se locomoviam quase sempre de joelhos. O único bem que tinha era um botijão de gás, comprado a prestação. Foi justamente ele, que não tinha razão de ser em uma casa sem fogão, o passaporte para que ela construísse uma casa de verdade.

Luzia foi fazendo a casa aos poucos, sozinha, mas precisou que um primo lhe ajudasse a revirar as telhas que havia instalado. Do jeito que estavam, de cabeça para baixo, a primeira chuva iria que caísse inundaria a parte interna. O botijão de gás foi usado justamente para a compra das telhas, a parte mais cara da construção.

O botijão, até hoje, não faz falta. Luzia continua usando só o fogão a lenha. Depois de construir a própria casa, fazer um fogão não foi tão difícil. Custo total da empreitada: zero. Hoje aposentada por invalidez, ela angariou uma grande caixa de madeira para a base. Recobriu a superfície com uma camada de tijolo e de barro molhado para evitar que o fogo produzido incinerasse o equipamento. A chapa ela ganhou de uma conhecida. A chaminé, que retira a fumaça do ambiente de forma moderadamente eficiente, também foi improvisada: costumava ser a armação da cama tubular que a vizinha tinha decidido jogar fora.

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