Clayton de Souza/Estadão
Empresa de Calderón agora apela para outras áreas Clayton de Souza/Estadão

‘Os bancos acreditam que o polo vai falir’

Empresário transferiu empresa do Rio para Rio Grande

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2015 | 15h24

Diante da forte demanda do polo naval rio-grandino e das perspectivas positivas do setor, o empresário Jorge Daflon, mais conhecido como Calderón, não pensou duas vezes e transferiu a sua RVT do Rio de Janeiro para Rio Grande. A empresa, que fabrica estruturas metálicas e tubulações, presta serviços para os estaleiros da cidade e chegou a empregar 6,5 mil pessoas. 

Com o sucesso dos negócios, Calderón decidiu construir uma nova fábrica. Desde a chegada em Rio Grande, a RVT estava instalada em um local alugado. E estava na hora de ter uma área mais estruturada. O local escolhido fica praticamente em frente ao Estaleiro Rio Grande. Mas, faltando poucos detalhes para ser concluída, a fábrica, de 6 mil metros quadrados, não tem nenhum novo contrato com o polo naval. 

Hoje o que está salvando a companhia são os serviços prestados em outras áreas, como a construção civil e o setor elétrico (eles fazem manutenção na usina de Candiota, no Rio Grande do Sul). Até o ano passado, 100% da receita da companhia vinha do polo naval. Atualmente, não passa de 30% – isso de contratos antigos que estão para acabar.

Empresa de Calderón agora apela para outras áreas

No fim de 2014, no entanto, teve de demitir mil pessoas que trabalhavam no Estaleiro Rio Grande por causa da crise da Ecovix, subsidiária da Engevix, envolvida na Lava Jato. Para fazer a rescisão dos trabalhadores, foi obrigada a vender outros ativos, já que a Ecovix não havia pago o que devia. 

Com a piora da crise, teve de concluir a fábrica com recursos próprios. “Os bancos não liberam nenhum dinheiro, pois acreditam que o polo vai falir”, diz Calderón. Segundo ele, a empresa só está sobrevivendo porque é sólida e não tem endividamento.

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