Clayton de Souza/Estadão
Metade da frota de Lopes está parada atualmente Clayton de Souza/Estadão

'Os 20 anos previstos se transformaram em sete'

Empresário investiu no aumento da frota, mas demanda caiu

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2015 | 15h29

O empresário Renan Guterres Lopes acreditou na promessa de que o polo naval seria um projeto para mais de 20 anos, investiu milhões na frota de ônibus e hoje quase metade dela está parada sem demanda. Quando os primeiros estaleiros começaram a chegar a Rio Grande, a empresa de Lopes, a Universal, tinha apenas nove ônibus para atender os clientes. Conforme o polo avançava, ele foi aumentando o número de veículos, até os 90 ônibus atuais.

No auge da atividade naval, antes da Operação Lava Jato, ele chegou a trabalhar com 160 carros, sendo 70 deles terceirizados. Mas, com a crise da indústria naval, a situação se inverteu. Dos 90 ônibus próprios, 40 estão encostados no estacionamento. Pior: Lopes acumula dívidas da última aquisição de 16 ônibus executivos. Cada um deles custou R$ 350 mil. A maior parte da compra foi feita com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com juros entre 3% e 4% ao ano. “Agora estou tendo de refinanciar com juros de 1,5% ao mês.”

Metade da frota de Lopes está parada atualmente

A aquisição dos novos ônibus foi uma exigência dos clientes, que queriam veículos com ar-condicionado e poltronas reclináveis. “Se não atendesse ao pedido das empresas, abriria espaço para a concorrência e aí poderia perder outros contratos. O problema é que agora tenho dificuldade para usar esses novos ônibus em outras atividades.”

 

A esperança de Lopes é a construção da termoelétrica do Grupo Bolognesi, prevista para Rio Grande, mas que ainda depende de licenças ambientais. Em relação ao polo naval, ele acredita que a situação está bem complicada, já que não há perspectiva de novas encomendas. “Os 20 anos do polo naval se transformaram em apenas 7.”

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