Mônica Scaramuzzo
Condomínio de luxo usa energia solar e tem carros elétricos  Mônica Scaramuzzo

Condomínio de luxo terá energia solar

Batizado de ‘cidade sustentável’, projeto de Dubai foi desenvolvido para ser autossuficiente em energia limpa

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2015 | 05h00

A vida no deserto pode ter suas vantagens, mas seu preço é alto. A cerca de 30 quilômetros do centro financeiro de Dubai está sendo erguido um projeto batizado de “cidade sustentável” – um condomínio de casas de luxo abastecidas com energia solar desenvolvido pela construtora Diamond Developers.

As casas serão entregues no primeiro semestre de 2016, mas o projeto total, que prevê ainda um complexo comercial integrado ao condomínio – com supermercados, lojas de departamento e escolas privadas – deverá ficar pronto no início de 2017.

“O investimento neste projeto, o primeiro totalmente sustentável, foi de cerca de US$ 350 milhões”, disse Faris Saeed, presidente da construtora. O condomínio de luxo conta ainda com estábulos para cavalo, estufas irrigadas para produção no local de hortaliças e verduras, e carros elétricos para locomoção dos moradores dentro do condomínio. Essas estufas foram idealizadas para o consumo dos próprios moradores – uma taxa extra será cobrada por esse benefício –, e o excedente será vendido para a comunidade em uma feira organizada pela administração do condomínio.

O desembolso para fazer parte da cidade sustentável será alto. Uma casa de três quartos de alto padrão nesse condomínio custa cerca de US$ 1 milhão e uma residência de quatro quartos sai a US$ 1,2 milhão. 

Segundo Saeed, a construtora tem mais tradição em ativos imobiliários comerciais e este será seu primeiro dentro desse conceito voltado para energia limpa. “Construímos um conjunto comercial de sete torres na parte financeira da cidade.”

Condomínio de luxo usa energia solar e tem carros elétricos para locomoção dos moradores

Ao longo da rodovia que dá acesso à cidade sustentável, vários condomínios de luxo e resorts também estão sendo erguidos. Batizados com nomes pomposos, como Beverly Hills (alusão ao bairro de alto padrão da Califórnia, nos EUA), por exemplo, os condomínios são voltados para altos executivos, sobretudo estrangeiros, que buscam manter o mesmo padrão de vida e de conforto de seus países de origem. A ideia é que as famílias não precisem se deslocar para a região mais central de Dubai para fazer compras. 

Depois de um boom imobiliário em Dubai, o setor de construção enfrentou um período de crise entre 2009 e 2012, e agora está retomando seus negócios. Construtoras como Damac, Emaar, Meera e Nakheel voltaram a tocar seus projetos e as principais avenidas estão tomadas por obras. 

Os investimentos em projetos sustentáveis nos países do Oriente Médio deverão crescer nos próximos anos e devem receber incentivos dos governos locais, segundo os organizadores da Big 5, maior feira de construção civil da região, realizada na última semana de novembro.

O ministro do Meio Ambiente e Água dos Emirados Árabes Unidos, Rashid Ahmad bin Fahd, que participou da abertura do evento deste ano, afirmou que a prioridade dos principados que compõem os Emirados Árabes Unidos é tocar projetos de construção que não utilizem matéria-prima fóssil. Os governos desses emirados vão dar incentivos a construções que concentrem esforços em economia de energia. 

Com abundância de petróleo, mas escassez de recursos naturais, os países do Oriente Médio estão revendo parte de suas prioridades para o futuro. Toda a água consumida em Dubai e na maioria dos países árabes passa por um processo de dessalinização (retirada de excesso de sal e outros minerais). Agricultura praticamente é nula – por isso muitos fundos de investimentos administrados por famílias bilionárias árabes buscam fazer investimentos nesse segmento no Brasil, por exemplo. 

Infraestrutura. Nos últimos anos, Dubai também investiu fortemente em infraestrutura. O ritmo diminuiu durante a crise global, mas começou a ser retomado, segundo da DMG Events. Os investimentos em ampliação de aeroportos em Dubai, por exemplo, estão estimados em US$ 40 bilhões entre este ano e 2022 para atender à crescente demanda de passageiros e de movimentos de cargas da região. A nova estrutura terá capacidade para atender 100 milhões de passageiros ao ano.

Dubai também pretende investir na expansão das linhas de metrô, hoje com 47 quilômetros, mas ainda insuficientes para chegar a bairros afastados. A região dos Emirados Árabes Unidos também prevê projetos ferroviários, com aportes de US$ 25 bilhões.

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