FAMÍLIA TROCA MULA POR TERRA E FAZ FORTUNA

FAMÍLIA TROCA MULA POR TERRA E FAZ FORTUNA

Empresários compraram terras antes de a cidade despontar no agronegócios

Renée Pereira (Textos); Sergio Castro (Fotos), O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2016 | 17h00

O primeiro pedaço de terra adquirido pela família Figueiredo em Cristalina foi praticamente trocado por uma mula. Em meados dos anos 80, pouca gente queria se arriscar por aquelas bandas, ainda sem tradição na produção de grãos ou pecuária. O produtor rural Luiz Carlos Figueiredo deixou mulher e filhos no Paraná e se embrenhou pelos campos de Cristalina. Em pouco tempo já havia dominado as características locais e percebido que a tecnologia poderia ser uma grande aliada no Cerrado. 

Hoje a família Figueiredo tem 4.100 hectares de terra onde produz 12 culturas diferentes, como soja, milho, café, feijão e trigo. Quem conta a história de sucesso de Luiz Carlos Figueiredo é o filho Reinaldo Carlos Figueiredo, diretor administrativo da empresa. “Meu pai foi um visionário, um grande empreendedor. Morou em casa de sapé e veja onde está hoje”, orgulha-se. Formado em veterinária, ele chegou ao Cerrado goiano em 2005 para ajudar o pai a tocar os negócios de pecuária, que já haviam sido iniciados no Paraná, em pequena escala. 

Em Cristalina, com terra de sobra, ele pode colocar em prática a paixão que tem pelo gado leiteiro. Antes de iniciar os trabalhos, rodou várias fazendas pelo Brasil, Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia para estudar casos de sucesso. “Queria fazer um projeto legal, sustentável e bem planejado.” Começou com algumas vacas holandesas que trouxe do Paraná, produzindo 1,5 mil litros de leite por dia. 

Hoje, com quase 700 vacas holandesas e produzindo 21,6 mil litros de leite por dia, a empresa já é a 14.ª maior produtora do Brasil. A meta é alcançar 1.800 vacas e produzir 60 mil litros de leite por dia. Mas Figueiredo não tem pressa. O objetivo é produzir de forma sustentável e com qualidade, diz ele, que fornece leite para a comunidade árabe. Além de controles sanitários rígidos, quase tudo é automatizado e monitorado para garantir a qualidade e quantidade do leite produzido.

Prêmios. O trabalho tem dado certo. Em outubro, pelo segundo ano, a Fazenda Figueiredo foi eleita a produtora de leite do ano – em 2012, a empresa já havia conquistado esse prêmio. Na sala de Figueiredo, as dezenas de troféus de vacas holandesas em miniaturas, que decoram o escritório, revelam a rápida ascendência dos negócios da família, fruto de muita tecnologia e dedicação. São prêmios conquistados desde que Luiz Carlos trouxe o filho para tocar a divisão de pecuária em Cristalina. 

O veterinário, que até os sete anos de idade queria ser padre, acredita que Cristalina tem todas as características para os produtores rurais. “Essa cidade foi feita para os agricultores. Daqui saem, por exemplo, as melhores sementes de soja do País.” 

Segundo ele, a produção da cidade, seja de grãos ou na pecuária, ainda tem muito potencial a ser descoberto e explorado. “Calculamos que Cristalina tenha o dobro da capacidade para crescer. Ainda é muito subutilizada.”

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