Nova onda de otimismo no mercado

O mercado financeiro teve um dia de muito otimismo. A justificativa do dia foi o a taxa de desemprego nos Estados Unidos, que ficou acima da esperada. A taxa foi de 4,1% em maio, contra uma expectativa de 3,9%. Não que os investidores gostem de desemprego por nada. O problema é que a economia norte-americana está muito aquecida, o que levou o Banco Central do país (FED - Federal Reserve) a aumentar os juros em 1,75 ponto percentual desde junho do ano passado.O receio era de que a economia continuasse dando sinais de aquecimento excessivo, o que levaria a novos aumentos de juros. Os últimos números, no entanto, mostram que a economia começa a desacelerar. Por conta disso, os analistas mais otimistas já dizem que o FED pode até parar de aumentar as taxas de juros. Os menos otimistas esperam aumento, mas agora de 0,25 ponto percentual, e não 0,5 ponto percentual, como aconteceu em maio.Tudo está indicando para um quadro de desaceleração suave da economia do país, sem pressão sobre os preços ou juros. Este tipo de análise favorece os investimentos em ações. Ganham também os ativos dos países emergentes, como o Brasil, porque o investidor tem menos motivos para retirar seu dinheiro destes mercados. Bolsas sobem com força Neste quadro mais otimista, as bolsas subiram com força. Destaque para Nasdaq, bolsa eletrônica norte-americana que reúne empresas de tecnologia e informática, que registrou alta de 6,44% no fechamento do dia. A mínima da Nasdaq hoje foi de 4,09% de alta, bastante forte. O principal índice da Bolsa de Valores de Nova Iorque, o Dow Jones, ficou em 1,34% de alta.A Bolsa paulista foi no ritmo, subindo 4,99%. O ânimo dos investidores foi reforçado pelas notícias de desemprego nos Estados Unidos. Também está pesando a grande movimentação de recursos no setor de telefonia, por conta da troca de papéis da Telesp e Tele Sudeste Celular pelos recibos de ações da espanhola Telefónica. O movimento da Bolsa hoje foi expressivo, de R$ 1,26 bilhão, contra valores que têm ficado em torno de R$ 800 milhões e R$ 900 milhões. É um momento de movimentação no setor de telefonia. Investidores que querem ficar com os recibos da Telefónica, compram Telesp e Tele Sudeste Celular. Outros vendem para comprar ações de outras empresas do setor. Esta movimentação deve continuar. Telesp preferencial subiu hoje 7,48%, mostrando o fôlego de procura pela empresa. Dólar fecha em R$ 1,802; juro também recua O clima de otimismo continua marcando os mercados de juros e dólar. Os últimos negócios com a moeda norte-americana fecharam hoje em R$ 1,802 na ponta de venda, com queda de 0,99%. O dólar oficial, que representa o preço médio dos negócios, fechou em R$ 1,8104, com queda de 0,54%.Na segmento dos juros, o swap prefixado de um ano fechou pagando juros de 20,42% ao ano para uma base de 252 dias úteis, continuando a trajetória de queda dos últimos dias. Ontem, título com a mesma base de comparação pagou 20,82% ao ano. Acabou o risco? Não. O mercado está ainda no meio de fortes oscilações. Dias de grandes altas são seguidos de dias de perdas expressivas. Questões sobre os rumos dos juros nos Estados Unidos ainda preocupam, assim como o rumo do preço do petróleo. Uma alta dos juros norte-americanos afasta o investidor estrangeiro do Brasil. O petróleo mais caro afeta a inflação.Aqui, a economia está mais calma, com a retomada do crescimento, e a inflação controlada. Mas a economia brasileira ainda está distante de um ponto de equilíbrio, especialmente nas contas públicas e na necessidade de financiamento externo.Nas bolsas, é importante reforçar o fator emocional. Os investidores deveriam ter reações mais técnicas, baseados em avaliação de expectativas de retornos. Mas não é assim. Compram e vendem ações muito pelo lado emocional. Por isso, alguns poucos números podem provocar mudanças tão radicais de humor. Um exemplo basta. A Nasdaq há poucos dias acumulava perda de 37% em relação ao pico de março. Hoje, as perdas são de 24,5%. Este tipo de oscilação somente é possível em períodos muito emocionais.

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