Angelos Tzortzinis/AFP
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d1000 faz IPO, ações caem 12% e investidor é penalizado: o que deu errado?

Nova pesquisa mostra empate técnico em plebiscito grego sobre medidas de austeridade

Diferença entre as respostas ‘sim’ e ‘não’ para as imposições dos credores é de apenas 1,4 ponto porcentual; nesta sexta-feira, manifestantes das duas correntes vão às ruas

Fernando Scheller, enviado especial, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2015 | 06h21

ATENAS - O clima de suspense que vivem os gregos a dois dias do plebiscito que vai determinar se os cidadãos aceitam ou não as condições impostas pela União Europeia para a continuidade da ajuda financeira ao país não dá sinais de que será amenizado até domingo. A mais recente pesquisa, divulgada na manhã desta sexta-feira, aponta uma vitória do “sim”, mas por uma margem bastante apertada.

Uma pesquisa do Instituto Alco, divulgada pelo jornal Ethnos, dá a vitória para o sim, mas por uma margem bastante apertada: 44,8%, contra 43,4% do não. Está longe de ser um resultado garantido. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e quase 12% dos eleitores ainda se dizem indecisos. O instituto Alco é considerado uma das empresas de pesquisa mais respeitadas do País.

Dois dias atrás, outro instituto, o Pro Rata, mostrou uma “virada” no humor da população depois que o governo da Grécia determinou o fechamento dos bancos. Antes da medida, o apoio ao "não" era de 57% e o ao "sim" era de 30%; na terça-feira, o “não” passou a 46% e o sim, a37%.

O levantamento desta sexta também mostrou que partidários de ambos os lados não querem que a Grécia saia da União Europeia. A pesquisa, que ouviu pouco mais de mil pessoas, mostra que 74% dos gregos querem permanecer no euro, enquanto apenas 15% consideram a volta da antiga moeda, o dracma. O restante (11%) é de indecisos.

Com o país dividido literalmente ao meio em relação ao referendo, o clima político vai esquentar ainda mais nesta sexta-feira. Até este momento, as manifestações a favor do “sim” e do “não” foram realizadas de forma separada. Agora, estão marcados eventos de ambos os ladosao mesmo tempo.

Clima. Nas ruas de Atenas, o Estado entrevistou estudantes, funcionários de grandes empresas e comerciantes durante toda a tarde de quinta-feira. Os que disseram que vão votar pelo “sim” – ou seja, aceitar as condições da ajuda impostas pela União Europeia – estão olhando pelo lado racional. É melhor uma situação ruim e conhecida do que um grande ponto de interrogação. Os partidários do “não” acreditam na força nacional para negociar um acordo melhor com a UE.

Para o comerciante Napoleon Kalliris, de 50 anos, a classe política grega pensa só no próprio ego – a começar pelo premiê Tsipras. “Ele se diz de esquerda. Mas eu pertenço ao partido comunista, sou muito mais de esquerda do que ele. É um problema de ego. Agora não é hora de pensar com a emoção, mas com a razão.”

Dono de um comércio a poucos metros da loja de Kalliris, Stefanos Zouridakis, 25 anos, vê a situação de maneira simples: “Se o meu vizinho estivesse me devendo € 200 e eu não tivesse como pagar, uma hora minha compreensão iria acabar. É o que está acontecendo com a gente agora.” Zouridakis vai votar sim, mas afirma que os gregos estão em um beco sem saída: “Qualquer que seja o resultado, vai ser ruim.”

Embora os dois comerciantes concordem que é melhor escolher a proteção da União Europeia, sabem que o resultado do referendo de domingo não é garantido. Aliás, para encontrar uma opinião diferente, não foi preciso ir longe. Bastou atravessar a rua. O proprietário da loja de tapetes, de origem iraniana, vive há mais de uma década na Grécia. Quase não fala inglês, mas conseguiu expressar sua posição: “No”.

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