Fred Dufour/Reuters
Fred Dufour/Reuters

Nova política chinesa não deve afetar o País

China anunciou medida para desestimular aportes no exterior, mas setores como infraestrutura e energia estão de fora

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2017 | 05h00

Diante do enorme fluxo de capital deixando a China rumo a outros países, o governo chinês divulgou, em agosto, novas diretrizes que desestimulam investimento no exterior. A medida, entretanto, não deverá causar uma inversão no fluxo de recursos para o Brasil – aportes em setores como infraestrutura e energia continuarão sendo estimulados pelo governo daquele país.

O governo de Xi Jinping já havia anunciado, no fim de 2016, que não incentivaria mais investimentos em alguns segmentos no exterior, o que resultou em uma queda de 44%, para US$ 57,2 bilhões, no volume aportado globalmente pelas empresas do país nos sete primeiros meses de 2017, excluindo o setor financeiro. Agora, em agosto, o governo especificou que serão desestimulados os investimentos nas áreas imobiliária, hoteleira, cinematográfica, de entretenimento e em equipes esportivas. Nos últimos anos, os chineses haviam comprado participações em empresas como o Cirque du Soleil, as redes hoteleiras Hilton e Club Med e os times de futebol Atlético de Madrid, Inter de Milão e Milan.

No Brasil, entretanto, quase não foram aplicados recursos nesses segmentos e um indicativo de que os investimentos continuam são as transações de fusões e aquisições realizadas no primeiro semestre de 2017 no País: o volume de capital envolvido nelas representa 74% do total do ano passado.

“O que acontece agora é que o governo chinês quer centralizar os investimento em áreas que considera estratégicas. No Brasil, os aportes tradicionalmente já são nesses setores. O fluxo (de recursos) deve continuar em energia e óleo e gás, por exemplo”, diz Alessandro Zema, responsável pela área de banco de investimento do Morgan Stanley.

Parceiros. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, reforça que os chineses continuarão no País. “Para infraestrutura, não tem restrição (do governo)”, diz. “O Brasil é um importante parceiro porque fornece produtos estratégicos, como minérios e alimentos, para a China garantir seu crescimento sustentável”, acrescenta.

Uma diversificação maior do perfil das empresas adquiridas pelos orientais, como começava a aparecer, porém, pode acabar não ocorrendo por aqui. Pouco mais de um mês antes de o governo chinês anunciar as novas diretrizes, a chinesa Fosun, que tem forte atuação nos setores financeiro e de entretenimento, havia comprado seu primeiro empreendimento imobiliário no Brasil – uma torre corporativa em São Paulo. / L.D

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