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'Nova presidente encontrou a conta que velha presidente deixou', diz economista

Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, acredita que a dívida pública bruta atingirá 70% do PIB já no fim do próximo ano ou em meados de 2017

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 13h59

RIO - A maior parte da alta nas despesas de custeio do governo federal no primeiro semestre deve-se ao pagamento de programas e subsídios deixados do primeiro governo Dilma para a atual administração, afirmou nesta sexta-feira, 7, o economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas. "A nova equipe econômica e a nova presidente encontraram a conta que a velha presidente deixou", ironizou Mansueto, em palestra durante seminário promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), no Rio.

Apresentando os dados já divulgados pelo Tesouro Nacional sobre as contas públicas do primeiro semestre, Mansueto apontou que houve alta real de cerca de 6% nas despesas com custeio, mesmo com a economia em retração. Para analisar os gastos, o economista divide o custeio em três itens: transferência de renda, saúde e educação e outros. Nas transferências a alta foi pequena e o custeio de saúde e educação aumentou "muito pouco". 

Já o item "outros", onde são contabilizadas as despesas não pagas no primeiro mandato Dilma, houve crescimento real de 23%, disse Mansueto. "Em julho vem uma nova pancada", alertou o economista. 

Para Mansueto, a regularização dos pagamentos atrasados, incluindo as que foram objeto de pedaladas fiscais, deverá levar os quatro anos de governo. Ainda assim, o economista defendeu a equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Fica claro que parte do insucesso da equipe econômica (em fazer superávit primário) decorreu de gastos passados", afirmou Mansueto, destacando que houve queda de quase 10% no custeio administrativo. O problema, resumiu o economista, é que a equipe econômica não consegue cortar "o que depende de mudança de regra e gastos passados". 

Dívida. Para o economista, o Brasil caminha para que a dívida pública bruta atinja 70% do Produto Interno Bruto (PIB) "já no fim do próximo ano ou em meados de 2017". "É claramente um cenário de perda do grau de investimento", comentou Mansueto, ao responder a uma pergunta da plateia durante o seminário.

Segundo o economista, essa é a projeção com os dados atuais. "Os sinais hoje são preocupantes. Não significa que isso vai acontecer", ponderou.

Após a palestra, em entrevista a jornalistas, Mansueto afirmou que não seria má ideia vender parte das reservas, em torno de US$ 50 bilhões, para reduzir a dívida bruta.

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