Ernesto Rodrigues/ Estadão
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Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Nova projeção do governo para PIB em 2020 ficará entre queda de 4% e 5%

Governo tem mapeado efeitos significativos da pandemia do novo coronavírus sobre a atividade econômica, o que levou à “queda brusca” nas previsões

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 17h54

BRASÍLIA - A equipe econômica vai rever sua projeção para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 para uma queda entre 4% e 5%, segundo apurou o Estadão/Broadcast. A última estimativa oficial, divulgada em março, ainda era de uma alta de 0,02%.

O governo tem mapeado efeitos significativos da pandemia do novo coronavírus sobre a atividade econômica, o que levou à “queda brusca” nas previsões. No último Boletim Focus, que reúne as previsões de mercado, a projeção mostrou que a economia deve encolher 4,11% neste ano.

Organismos internacionais como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) também preveem um baque na economia brasileira em 2020, com projeções de retração de 5% e 5,3%, respectivamente.

A sucessão de choques negativos deflagrou dentro do governo um debate sobre a importância de fortalecer a rede de proteção social para o momento pós-pandemia. Apesar da implementação de medidas para manter empregos, o Brasil ainda deve assistir a um aumento no número de desempregados, o que reforçará a necessidade de ampliar essa proteção às famílias.

No Congresso, parlamentares têm defendido que o auxílio emergencial de R$ 600 pago por três meses a trabalhadores informais se torne permanente. Na segunda-feira, 11, o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, disse que “talvez alguns programas tenham vindo para ficar”, em referência ao benefício.

Nesta terça-feira, 12, o Ministério da Economia desautorizou o secretário e disse que as políticas formuladas “neste momento de excepcionalidade” não devem ser convertidas em permanentes para não comprometer a recuperação das contas públicas a partir de 2021 nem a trajetória da dívida pública.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o que está em debate no governo é a revisão de gastos e políticas sociais que não são tão eficientes, como o abono salarial (uma espécie de 14º salário pago a trabalhadores com carteira assinada que ganham até dois salários mínimos), o seguro-defeso (pago a pescadores artesanais em períodos de proibição da atividade e que já foi alvo de apurações sobre fraudes nas concessões) e o programa farmácia popular.

A avaliação dentro do governo é de que programas de transferência de renda que sejam eficientes precisam ser fortalecidos, e a maneira de fazer isso é cortar despesas que não são tão efetivas.

Uma eventual revisão do Simples Nacional também está em debate, embora a alteração em desonerações não abra diretamente espaço para outras despesas dentro do teto de gastos, mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação. A reversão dos gastos tributários, porém, ajuda a pôr mais dinheiro no caixa do governo num momento em que será necessário um esforço maior para controlar a dívida pública após a pandemia ter levado a equipe econômica a abrir o caixa para ajudar empresas e famílias.

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