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Nova proposta francesa no G-20 agrada ao Brasil

Fazenda fica satisfeita com explicação de que a França vai propor regulamentar operações com derivativos financeiros de commodities

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ministros de Economia e presidentes de bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes voltam à mesa de negociações, amanhã, em Paris, para a primeira reunião ministerial do G-20 em 2011. Como de praxe nos últimos encontros, eles estarão em lados opostos, divididos em questões como a criação de indicadores de desequilíbrios econômicos, na regulação de commodities e no controle de fluxos de capitais.

Apesar das divergências, o Brasil chega satisfeito pelo avanço da proposta dos anfitriões.

A reunião de ministros, que será realizada entre amanhã e sábado, é a primeira preparatória para a cúpula do G-20 de Cannes, em novembro. O evento é marcado por uma pauta ambiciosa - e polêmica - estabelecida pelos franceses. O centro do atrito entre países ricos e emergentes está na ideia de "reduzir desequilíbrios" que permeia os projetos defendidos pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy.

É esse objetivo que está por trás de propostas como a criação de limites para o controle de fluxo de capitais e para a especulação sobre derivados de commodities no mercado financeiro, além da reorganização do sistema monetário internacional.

Brasil. Um dos atritos dos anfitriões foi com o Brasil. Em recente discurso, Sarkozy defendeu em linguagem cifrada a regulação no mercado de matérias-primas, sem exemplificar que se referia à regulação de produtos financeiros derivados dessas mercadorias.

"Será que entre o produtor e o comprador não há vocação a regular, a organizar o mercado? Isso é tudo o que a França pede", afirmou. "Não façamos ideologia. Regulemos, organizemos, para que se trate de um verdadeiro mercado de tal forma que ninguém possa perturbar a lei da oferta e da procura."

Diante da rejeição de países como Brasil e Argentina, Christine Lagarde veio a público na segunda-feira defender uma proposta menos radical. Segundo ela, seu país não pretende propor a regulação dos preços das matérias-primas. Em recado direto ao Brasil, afirmou: "Repito aos nossos amigos brasileiros: não queremos administrar preços". Em contrapartida, reiterou o desejo de levar aos membros do G-20 a proposta de regulamentação das transações de produtos derivativos financeiros de commodities.

Ontem, assessores do ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, que estarão em Paris no G-20, avaliaram como positiva a postura de Lagarde, mais moderada que a de Sarkozy. O governo brasileiro considera "um avanço" que os anfitriões do G-20 já não falem em regulação do preço das matérias-primas. "Já é um passo. Sinaliza com uma posição menos intransigente no G-20", disse um assessor ao Estado.

Além do tema da regulação, há outros pontos de atrito entre as proposições que estarão na mesa de discussões até sábado e os interesses do País. Um deles diz respeito à criação de normas para a acumulação de reservas internacionais. O Brasil, que nesta semana chegou ao recorde de US$ 300 bilhões acumulados, tem restrições à proposta franco-alemã de estabelecer regras para a poupança externa.

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