PAUL J. RICHARDS | AFP
PAUL J. RICHARDS | AFP

Nova recessão mundial é improvável, afirma Christine Lagarde

Para diretora-gerente do FMI, saída do Reino Unido da União Europeia não deve levar mundo para uma nova crise

Agências internacionais

08 Julho 2016 | 10h36

WASHINGTON - Uma nova recessão mundial é “improvável” apesar das fortes turbulências causadas pelo voto britânico pelo Brexit, ou saída do Reino Unido da União Europeia, assegurou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, em entrevista a agência France Presse. A votação, para Lagarde, revela um “desencanto” do cidadão que deve fazer com que a União Europeia seja mais “transparente”.

Os efeitos imediatos do referendo serão sentidos no Reino Unido com reflexos importantes na zona do euro afirmou a dirigente do FMI. Lagarde alertou que é preciso que britânicos e europeus acertem o mais rápido possível um calendário de separação para “reduzir as incertezas”.

“A palavra-chave nesse tema do Brexit é incerteza, e quanto mais incerteza, maior o perigo”, sustentou Lagarde que acaba de iniciar um segundo mandato à frente da instituição financeira multilateral.

Lagarde disse ainda que a União Europeia deve fazer muito mais para explicar de maneira transparente o que está fazendo e o que significa para a população os custos e benefícios de sua ação.

A presidente da unidade de Cleveland do Federal Reserve, Loretta Mester, disse que o banco central americano tem tempo para avaliar os impactos do Brexit antes de sua próxima decisão de política monetária, no fim deste mês.

Em entrevista ao Wall street Journal, ela reafirmou que a economia dos Estados Unidos é “muito sólida” e que não acredita que o Fed esteja atrás da curva no que se refere a juros.

“Tenho sido uma das mais positivas em termos de perspectiva para a economia americana e continuo positiva quanto a isso. Mas levo em conta que existe uma incerteza crescente”, afirmou. Para Loretta, o momento exige cautela, mas ela destacou que o Fed não será capaz de adiar indefinidamente o aumento de juros se os dados econômicos estiverem bons. Os reflexos do Brexit, segundo ela, ainda se estenderão por algum tempo.

Loretta evitou fazer previsões sobre a próxima reunião de política monetária, mas destacou que o Brexit é apenas uma das coisas a serem avaliadas. Segundo ela, os riscos estão bastante equilibrados. Por isso, para ela, “existem riscos de se esperar demais para elevar juros”, principalmente no que se refere à estabilidade financeira.

Em Frankfurt, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, pediu uma “profunda reflexão” sobre a possibilidade de injeção de fundos públicos nos bancos da zona do euro na sequência da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. 

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