coluna

Louise Barsi explica como viver de dividendos seguindo o Jeito Barsi de investir

Nova regra de fundos não influencia mercados

A antecipação para hoje da data limite para que os fundos de investimento passem a fazer a marcação dos títulos de sua carteira pelo valor de mercado não deve mexer significativamente com as taxas de juros e câmbio negociadas hoje entre investidores, na avaliação de alguns especialistas. De fato, a antecipação do prazo vai mexer com as cotas dos fundos que ainda não adotaram a nova regra e o tamanho da oscilação vai depender dos papéis que compõem estas carteiras.Segundo analistas, a sensação é de que a medida foi tomada para evitar que alguns investidores arquem sozinhos com prejuízos. Isso porque uma outra alteração recente de regras determinou que hoje é o prazo final para que os fundos de pensão paguem os tributos devidos à Receita Federal, o que poderá gerar saques expressivos nos fundos de investimento. Em abril, este movimento já foi confirmado, quando as carteiras apresentaram saques de R$ 5,077 bilhões, de acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Deste total, R$ 1,828 bilhão saiu das carteiras DI. O volume foi expressivo, se comparado a meses anteriores. Para se ter uma idéia, em março, o volume sacado, levando-se em conta todas as carteiras, foi de R$ 1,45 bilhão.Entenda a marcação a mercadoA nova regra de marcação a mercado - atualização do valor dos títulos que compõem a carteira pelo valor de mercado e não mais pelo valor de face (compra) - é considerada vantajosa para os investidores. O principal benefício é a proteção tanto para quem permanece com recursos aplicados quanto para quem resgata, dependendo da situação. O problema da atualização das cotas pelo valor de face é que a entrada e saída de recursos não era contabilizada pelo preço real dos papéis que compõem a carteira de um fundo. O rendimento dos títulos que compõem os fundos DI incorporam a oscilação da Selic, a taxa básica de juros da economia. E, como estes papéis são negociados com um desconto que varia de acordo com as condições do mercado - tanto na hora da compra quanto na hora da venda do papel - a cota do fundo pode ficar menor ou maior, em relação ao valor do dia da aplicação (veja mais informações nos links abaixo).Um exemplo: um fundo com apenas dois investidores (A e B), sendo que cada um possui cinco cotas, de R$ 1 mil cada uma. No momento da aplicação, o patrimônio do fundo é de R$ 10 mil. Supondo que alguns dias após a aplicação, o patrimônio do fundo continue em R$ 10 mil, segundo a marcação das cotas pelo valor de face. Isso significa que o valor da cota também permaneceria em R$ 1 mil. Em uma hipótese, se este gestor usasse a marcação a mercado, o patrimônio do fundo seria de R$ 8 mil, o que provocaria uma queda no valor da cota para R$ 800. Neste momento, se o investidor A solicitar o resgate total e o gestor tiver atualizado as cotas pelo valor de face, o total sacado será de R$ 5 mil. O fato é que, para pagar o resgate ao investidor A, neste exemplo, o gestor teve que vender títulos, os quais foram negociados segundo as condições do mercado. Se nesta operação, for apurado algum prejuízo, isso será repassado apenas para o investidor B que ficou na carteira. Para se ter uma idéia, caso o investidor B solicite resgate no dia seguinte ao do investidor A, o valor sacado será de apenas R$ 3 mil - patrimônio de R$ 8 mil (valor atualizado pela marcação a mercado) menos o resgate de R$ 5 mil do investidor A. Ou seja, o investidor B assumiu sozinho a variação negativa da cota.

Agencia Estado,

31 de maio de 2002 | 12h31

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.