Nova regra do SFI pode mexer com juros e preço

As novas regras do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) devem mexer com o mercado de financiamento de imóveis. Muitos analistas acreditam que pode haver uma redução das taxas de juros ao longo do tempo, um aumento da oferta de crédito por parte dos bancos e, até mesmo, uma queda no preço dos imóveis em um prazo mais longo.Todas estas possibilidades dependem do interesse de investidores pelos novos títulos imobiliários instituídos pelo governo na Medida Provisória (MP) nº 2.223, publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira passada. De acordo com as regras do SFI, o dinheiro direcionado pelas instituições para esta linha de crédito tem lastro em títulos imobiliários. Se os investidores não tiverem interesse suficiente por estes papéis, não há como ampliar a oferta de crédito para os financiamentos do SFI (veja mais detalhes sobre a MP no link abaixo).Indexação mensal afasta compradorA expectativa do diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia, é de que os bancos privados ampliarão a oferta de crédito nesta linha de financiamento imobiliário. Porém, para ele, mais importante do que isso é a forma como a demanda pelo produto vai se comportar.Pelo lado dos interessados em financiar a compra da casa própria, em um primeiro momento, a tendência é que a demanda diminua. "Como o reajuste das prestações nesta linha de crédito será mensal, de acordo com um índice de inflação, as pessoas vão relutar em aceitar estas condições e, no limite, uma grande parte delas não financiará imóveis agora", avalia Pompéia.Juros altos inibem demanda por SFIAs taxas de juros mais altas no SFI também reduzem o interesse dos investidores por esta linha de crédito. O diretor da Embraesp afirma que os mutuários já pagavam taxas elevadas pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com juros anuais de 12% mais a variação da Taxa Referencial (TR). Segundo ele, com uma perspectiva de inflação em torno de 6%, o juro real pago nas linhas de SFH fica em torno de 8%, considerando uma variação de 2% da TR.Hoje, os financiamentos pelo SFI oferecidos pelos bancos costumam cobrar uma taxa de juros anual entre 14% e 16% mais a variação da TR, o que significa juros reais em torno de 8% a 10%. Ou seja, nesta linha de financiamento imobiliário, o mutuário paga uma taxa de juros real mais alta do que na linha do SFH, o que já torna o produto de saída mais "caro".Por isso os analistas continuam recomendando que os compradores prefiram as linhas do SFH. A Caixa Econômica Federal (CEF) cortou os financiamentos para a classe média, mas ainda há vários outros bancos que oferecem crédito a 12% ao ano mais variação da TR. Veja mais detalhes sobre quem tem dinheiro mais barato no link abaixo.Perspectivas para juros e preço dos imóveis O vice-presidente de incorporação do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais e Residenciais de São Paulo (Secovi), Basílio Jafet, acredita que, se o SFI de fato "decolar" - aumentando os recursos disponíveis -, há chances de que os juros recuem, pois haveria uma maior concorrência entre as instituições na disputa pelos clientes.O diretor da Brazilian Mortgages, Fábio Nogueira, também avalia que a queda das taxas pode acontecer, mas isso deve demorar entre dois a cinco anos. "O bom pagador será muito disputado pelas instituições e poderá conseguir juros mais baixos", diz.A combinação de uma oferta maior de crédito e uma diminuição da demanda pode provocar também uma queda no preço dos imóveis. "No longo prazo, isso pode acontecer, assim como já ocorreu com a queda do preço dos aluguéis", comenta o diretor da Brazilian Mortgages.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2001 | 12h21

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.