Palo Whitaker/ REUTERS
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Nova regra pode colocar Petrobrás entre as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa

Segundo especialistas, contudo, dividendos mais robustos só devem ser depositados a partir de 2021

O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 10h40

O conselho de administração da Petrobrás aprovou nesta semana uma nova política de remuneração aos acionistas. A alteração tem potencial de colocar a empresa entre as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa. No entanto, especialistas pedem paciência aos investidores, uma vez que, para que a nova tabela entre em vigor, a companhia precisa reduzir seu endividamento bruto abaixo de R$ 60 bilhões. E segundo os analistas do mercado, isso não deve acontecer antes de 2021.

Pela nova diretriz, a Petrobrás passa a condicionar sua dívida bruta como parâmetro para pagamento de proventos aos investidores que detém ações preferências (PN) da companhia. Assim, se a dívida bruta da petroleira estiver abaixo de US$ 60 bilhões, incluindo os compromissos relacionados a arrendamentos mercantis, a empresa poderá distribuir 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos.

Por outro lado, caso o valor da dívida bruta esteja acima de US$ 60 bilhões, a Petrobrás poderá distribuir os dividendos mínimos obrigatórios previstos em lei e no Estatuto Social, o que acontece hoje.

Os dividendos são parte do lucro das empresas distribuído periodicamente aos acionistas. Geralmente, empresas que são boas pagadoras estão em estágio de crescimento avançado, não necessitando de tantos investimentos para financiar sua expansão. 

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Bem recebida

A novidade agradou o mercado. Os analistas reiteraram o comunicado divulgado pela petrolífera, segundo o qual a regra torna o cálculo de pagamento de dividendos mais objetivo e transparente para quem detém ações preferenciais (PN) da estatal.

Em relatório, o banco Santander avalia a decisão como positiva, uma vez que alinha melhor o pagamento de proventos com geração de caixa, capex (sigla em inglês para o montante destinado ao investimento na capacidade produtiva da empresa) e endividamento. Segundo o Santander, a diretriz equilibra melhor a sustentabilidade financeira e a capacidade de investimento da estatal.

No texto, os analistas Christian Audi, Gustavo Allevato e Rodrigo Almeida pedem paciência ao investidor. Segundo os especialistas, não há previsão de se baixa esse montante abaixo dos R$ 60 bilhões em menos de dois anos. Atualmente, a dívida bruta da Petrobrás gira em torno de US$ 110 bilhões.  

O banco Morgan Stanley é outro que comemorou a decisão. "Saudamos a nova política de dividendos da Petrobrás. Ela preserva a estrutura de capital e compartilha fluxos de caixa futuros com acionistas minoritários. Um melhor yield de dividendos poderia fazer com que a ação da Petrobrás negociasse nos mesmos termos de uma grande multinacional privada do petróleo (IOC)", apontam os analistas do Morgan Stanley.

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