Nova reunião discutirá renovação de acordo automotivo com México

Autoridades e dirigentes do setor privados dos dois países voltam a se encontrar na sexta-feira na capital mexicana

RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2015 | 02h04

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou ontem que as negociações entre Brasil e México para renovar o acordo automotivo bilateral só devem ser concluídas após um novo encontro na próxima sexta-feira, na Cidade do México.

Autoridades e dirigentes do setor privado dos dois países estiveram reunidos ontem para discutir o atual regime de cotas, que limita o comércio bilateral sem o pagamento do imposto de importação. "Os governos brasileiro e mexicano reiteram seu interesse na pronta conclusão dessas negociações de forma a fortalecer as relações bilaterais entre as duas maiores economias da América Latina", afirmou, em nota, o ministério.

O regime automotivo atual vence em 18 de março e, se não for renovado, passa a vigorar o livre-comércio de automóveis entre os dois países. O governo mexicano tem defendido o livre-comércio, mas o Brasil insiste em manter o sistema de cotas.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou que o setor defende a prorrogação do acordo automotivo com o México com base nas regras atuais. A Anfavea defende uma cota de US$ 1,64 bilhão por ano para importação de veículos mexicanos e exportação de automóveis brasileiros para o México e um índice de 35% para a chamada regra de origem, que define o porcentual de conteúdo nacional dos automóveis.

Ao deixar a sede do ministério, Moan afirmou que a renovação do acordo significa estabilidade para o setor. Ele informou que a Anfavea defende a prorrogação das regras atuais por mais cinco anos, mas admitiu que o prazo dependerá das negociações entre os dois governos. "Para o setor automotivo, a prorrogação nos termos atuais é o melhor caminho e o mais rápido."

O presidente da Anfavea disse, ainda, que os dois países manifestaram interesse em aumentar o comércio bilateral. Por ser a primeira reunião, Moan disse que não se esperava uma conclusão das negociações ontem. "Foi mais uma troca de posições, de impressões."

O executivo disse que o Brasil não usa atualmente toda a cota de exportação permitida sem pagamento de Imposto de Importação, mas a ideia é preencher todo o espaço. Por outro lado, ele defende a necessidade da cota, usando como justificativa a perda de competitividade das montadoras instaladas no Brasil nos últimos anos.

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