STRINGER|BRAZIL | REUTERS
STRINGER|BRAZIL | REUTERS
Imagem Celso Ming
Colunista
Celso Ming
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Nova rodada

O comunicado do Copom deixou transparecer que o Banco Central está disposto a uma nova temporada de alta dos juros básicos

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 21h00

O lacônico comunicado divulgado após a reunião do Copom dessa quarta-feira deixou transparecer que o Banco Central está disposto a atacar a inflação com mais uma temporada de alta dos juros básicos (Selic). Além de conter a inflação, pretende retomar a iniciativa na tarefa de formar as expectativas do mercado, hoje combalidas.

A inflação deste ano deverá ultrapassar os 10% e a de 2016 também ameaça disparar para acima do teto da meta (6,5%), como apontam as principais projeções do mercado.

O voto dissidente de 2 entre os 8 membros do Copom, por uma alta imediata e de meio ponto porcentual (e não na dose mais baixa, de 0,25 ponto porcentual), indica a disposição do Banco Central de enfrentar o novo surto de inflação com mais determinação.

Este é também outro jeito encontrado pelo colegiado do Copom de negar o diagnóstico de dominância fiscal, situação em que a política monetária (política de juros) perde tração diante da maior força de gravidade exercida sobre a inflação pela desordem das contas públicas. Nessas condições, juros mais altos não concorreriam para derrubar a demanda e, portanto, também a inflação. Se acena para nova esticada nos juros é porque o Banco Central entende que esse maior aperto na oferta de moeda na economia ajuda a controlar a alta generalizada de preços.

Alguns analistas, especialmente os mais identificados com propostas populistas de política econômica, não só rejeitam nova temporada de alta de juros, como, também, pregam movimento oposto: forte redução dos juros. Argumentam que a natureza da inflação hoje é preponderantemente de custos, e não de demanda. Querendo com isso dizer que não é mais o aumento da procura que puxa os preços para cima, uma vez que a economia se encontra em recessão, mas os reajustes, antes represados, de preços e tarifas, como os da energia elétrica e dos combustíveis. Isto posto, o objetivo da política monetária, segundo esses analistas, deveria ser expansionista, com maior oferta de moeda e de crédito (baixa de juros), com o que esperam reativar a economia.

Essa análise não leva em conta que a inflação atual não é o resultado da forte remarcação dos preços administrados, porque, além de persistente, está muito espalhada (índice de difusão superior a 65%) e atinge em cheio o setor de serviços.

O Banco Central, presidido por Alexandre Tombini (foto), argumenta, com razão, que a política monetária não pode limitar-se a combater a inflação de demanda, mas também a inflação secundária, especialmente a gerada pelos movimentos de reindexação da economia, que são todas as formas de correção automática de preços pela inflação passada.

Seja qual for a nova tática anti-inflacionária em gestação, do Banco Central se espera uma comunicação mais consistente com os mercados. Além de uma refutação mais firme de que esteja sendo paralisado pela dominância fiscal, espera-se dele uma avaliação mais sólida dos estragos produzidos pela desordem das contas públicas e clareza sobre como pretende trazer a inflação de volta ao centro da meta.

CONFIRA:

Acompanhe aqui a boa recuperação do déficit das contas externas (Conta Corrente), o setor que mais vem avançando no ajuste da economia.

 

O impacto da recessão

Os dois fatores que mais estão contribuindo para redução do rombo das contas externas são a queda do consumo (em consequência da recessão) e a alta do dólar (desvalorização do real). É o que tem derrubado as importações e as despesas com serviços (principalmente turismo externo). Esse déficit vem sendo coberto quase inteiramente com entrada de investimentos estrangeiros, o que é bom.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.