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Nova surpresa do Copom?

Dólar mais fraco ajuda a manter a inflação sob controle

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2017 | 05h00

Primeiro, houve mais uma surpresa inflacionária na semana passada, quando o IPCA de janeiro subiu 0,38%, bem abaixo da mediana das estimativas de analistas. Depois, veio a pesquisa Focus, do Banco Central, que apontou projeção de inflação abaixo da meta de 4,5% fixada pela autoridade monetária. E uma corrente crescente, embora minoritária, no mercado financeiro já pede uma redução de 1 ponto porcentual da taxa de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a semana que vem.

Mas os fundamentos corroboram para acelerar o corte de juros para 1 ponto porcentual? Em termos de estratégia na condução da política monetária, vale a pena o BC gastar artilharia pesada antecipando o ciclo de redução da taxa Selic?

A aposta majoritária dos analistas e investidores ainda é para uma redução da Selic em 0,75 ponto, de 13,00% para 12,25%, na reunião do Copom na próxima semana. Na sua comunicação recente, o BC sinalizou que, por enquanto, esse é o ritmo de afrouxamento monetário.

Na opinião de um experiente economista paulista, a estratégia do BC parece ser a de tentar combinar um corte de juros amparado nos fundamentos, mas com alguma dose de conservadorismo, tentando maximizar o tamanho do ciclo. Em outras palavras, o BC está disputando uma maratona e não uma corrida de 100 metros. Logo, deve preferir ser cauteloso dentro do razoável para chegar mais longe com o corte de juros.

Para um renomado executivo do mercado financeiro, o principal ponto a favor de o BC manter o ritmo de corte de juros é a comunicação recente da instituição. Dado que manteve a indicação de queda de 0,75 ponto porcentual, é pouco provável que o BC surpreenda o mercado duas vezes seguidas, lembra o executivo. Isso porque na reunião do Copom do mês passado, analistas e investidores esperavam um corte menor, de 0,50 ponto.

Por outro lado, o principal ponto a favor da aceleração do corte para 1 ponto é que a queda das expectativas de inflação se intensificou desde a última reunião do Copom, levando, por tabela, as estimativas para o ciclo total de afrouxamento monetário.

Na mais recente pesquisa Focus, os analistas preveem uma taxa Selic a 9,50% ao fim deste ano e a 9,00% ao fim de 2018. Nesse contexto, diz esse executivo financeiro acima, faz sentido acelerar o ritmo de corte de juros nas próximas duas reuniões do Copom para 1 ponto porcentual e depois conduzir o ciclo visando a sintonia fina para consolidar os juros em patamar abaixo de 10%.

Não somente do lado da inflação, como também do desempenho da atividade econômica, há espaço para uma postura mais agressiva pelo BC. Nos últimos meses, sucessivas surpresas nos índices de preços ao consumidor acabaram por afetar com maior intensidade as expectativas de inflação. Na última pesquisa Focus, a projeção do IPCA para 2017 caiu de 4,64% para 4,47%, uma revisão forte em apenas uma semana.

Além disso, o ambiente externo também segue surpreendentemente muito favorável ao Brasil. Na ausência de detalhes sobre o especulado pacote de estímulos fiscais do governo Donald Trump, o que aceleraria a inflação americana e levaria o Federal Reserve (Fed) a elevar os juros mais vezes nos Estados Unidos, o dólar vem perdendo força frente às principais moedas internacionais e, particularmente, em relação ao real. E, diante da alta recente nos preços das commodities, como petróleo e minério de ferro, a perspectiva é de que o dólar possa ceder abaixo de R$ 3,00 no curto prazo.

Dólar mais fraco ajuda a manter a inflação sob controle, abrindo espaço para cortes adicionais de juros. Além disso, a atividade econômica e o crédito seguem dando indicações de uma retomada muito gradual. As vendas do varejo, por exemplo, caíram 6,2% em 2016 ante 2015, na maior queda desse indicador da série histórica do IBGE iniciada em 2001. Diante dessa anemia econômica, outra surpresa no Copom não pode ser descartada.

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