Nova versão de acordo para Alca exclui temas polêmicos

A opção dos países que discutem a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) por uma versão "light" do acordo vai provocar uma reviravolta nas regras para a aprovação do bloco. O ministro Régis Arslanian, que representa o Itamaraty nas negociações comerciais, disse que para facilitar a aprovação do acordo por temas, deverá ser adotada a modalidade de "minissingle undertaking", segundo a qual não é necessário que tudo esteja acordado para que a Alca seja criada.O Brasil sempre defendeu a adoção do single undertaking nas negociações comerciais. Na prática, isso significa que só se atinge um acordo comercial quando há consenso sobre todos os temas envolvidos na negociação. Agora, com a mudança na forma de negociação, essa regra poderá deixar de aplicada. De qualquer forma, deve-se chegar ao final de 2004 com um acordo para a Alca, como prevê o cronograma.Arslain confirmou que temas mais sensíveis para o Mercosul e os Estados Unidos serão negociados de outra maneira. O tema subsídio à agricultura, até então considerado fundamental para o Brasil, ficará excluído do acordo e será negociado na Organização Mundial do Comércio (OMC), bem como as áreas de serviços e investimentos. Todas as questões de acesso a mercados devem continuar no âmbito da Alca.O conselheiro do Itamaraty, Tovar da Silva Nunes, coordenador chefe das discussões sobre a Alca, disse que negociações para o bloco ganharam impulso, com a aprovação pelos 15 ministros reunidos hoje em Maryland (EUA) da nova proposta de Alca light, que exclui os temas mais sensíveis do acordo comercial. "Há mais de 7 mil colchetes no texto das negociações, a maioria delas com posições totalmente antagônicas. Impossível chegar a um acordo dessa forma", justificou. Para Nunes, o entendimento fechado em Maryland torna a agenda da Alca mais pragmática.

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