André Dusek/Estadão
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Nova versão do Orçamento deve ser aprovada porque não traz prejuízo fiscal, diz Meirelles

Ministro da Fazenda disse que o adiamento do reajuste salarial de servidores e o aumento da alíquota previdenciária dos funcionários públicos são importantes para o governo cumprir a meta fiscal de 2018, que é de déficit de R$ 159 bi

Thaís Barcellos e Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2017 | 09h38

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira, 1, que as medidas orçamentárias apresentadas pela equipe econômica na semana passada para tentar reequilibrar as contas do Orçamento de 2018 não trazem prejuízo eleitoral e que deverão ser aprovadas pelo Congresso Nacional. 

Em entrevista à rádio CBN, Meirelles disse que as medidas são importantes para cumprir o orçamento do ano que vem e também para patrocinar a continuidade do crescimento econômico do Brasil. "O efeito das medidas é positivo e acredito que teremos apoio do Congresso", disse o ministro. 

O pacote de medidas provisórias apresentadas representam uma economia de R$ 40 bilhões para os cofres da União. Entre elas, está a previsão de aumentar a contribuição previdenciária de parte dos servidores federais de 11% para 14%, além de adiar reajustes salariais dos funcionários públicos. As propostas são consideradas impopulares pelos parlamentares, preocupados já com as eleições de 2018.

Meirelles disse que não há plano B no Orçamento de 2018 caso as medidas não sejam aprovadas no Congresso. Segundo ele, não vai haver aumento de impostos para a população em geral, mas somente "algo específico" para os fundos fechados exclusivos. "Não era correto que investidores desses fundos tivessem tributação diferenciada. Além de aumentar arrecadação, estamos fazendo justiça tributária", avaliou. 

O ministro ainda afirmou que o contingenciamento do Orçamento é sempre uma possibilidade. "Se for necessário, terá corte. O orçamento de 2018 será cumprido." Meirelles acrescentou que um corte no orçamento "não é a solução mais adequada". 

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Previdência. A mesma facilidade antevista por Meirelles na aprovação das medidas no Congresso não acontece com a PEC da Previdência, na avaliação de Meirelles. "Reforma da previdência é outra história e vai exigir um debate maior", afirmou o ministro. 

Meirelles voltou a enfatizar que a aprovação da reforma agora interessa a todos que pretendem disputar uma vaga nas Eleições de 2018. "Aprovar reforma da Previdência em 2017 é o ideal porque 2018 é ano eleitoral", disse. "Ano eleitoral não é tão favorável para reformas profundas", acrescentou. "Acredito que reforma da Previdência pode ser aprovada neste ano", disse Meirelles.

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O ministro disse concordar com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que recentemente criticou o alto volume de medidas provisórias (MP) enviadas pelo governo ao Congresso. "Maia tem razão. Todos concordam com ele. O presidente Michel Temer concorda também."

Segundo Meirelles, o ideal seria que as propostas tramitassem como projeto de lei, mas Meirelles ponderou que, quando há urgência, a MP é adequada, pois vigora de imediato. Ele citou, como exemplo de medidas de urgência, propostas do âmbito tributário, que têm noventena para vigorar. 

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