Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Novartis reestrutura negócios globais

Farmacêutica suíça troca ativos com GSK e vende divisão de saúde animal para Lilly; no Brasil, companhia já se desfez de unidade em SP

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h08

A farmacêutica suíça Novartis anunciou ontem uma ampla reestruturação de seus negócios, que inclui a troca de ativos com a britânica GlaxoSmithKline (GSK) na área de saúde humana e a venda de sua divisão de saúde animal para a americana Lilly.

Em saúde humana, a transação envolveu a aquisição pela Novartis dos negócios de oncologia da GSK, por US$ 14,5 bilhões, e a venda de suas unidades de vacinas à companhia inglesa, excluindo a de gripe, por US$ 7,1 bilhões, além dos royalties. As duas empresas também vão firmar uma joint venture para atuar no segmento de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês).

A divisão de vacina para gripe será colocada à venda em separado, uma vez que não entrou no acordo com a GSK por já atuar nesse segmento. "Essas transações marcam um processo de transformação para nós", disse o presidente executivo da Novartis, Joe Jimenez.

A multinacional suíça tem realizado nos últimos anos uma revisão estratégica de seus negócios. No Brasil, a Novartis vendeu em março sua fábrica de medicamentos maduros (sem patente), no Taboão da Serra (SP), para o laboratório nacional União Química, controlado pelo empresário Fernando de Castro Marques. A farmacêutica nacional vai manter a produção dos remédios para a multinacional nessa unidade.

A dúvida do mercado é se a fábrica que a Novartis está construindo em Pernambuco para a produção de vacina para combater a meningite B será concluída. "O entendimento é de que quem assume mantém o negócio", disse uma fonte ao Estado. Em dezembro, o BNDES anunciou financiamento de R$ 800 milhões para a construção dessa fábrica, orçada em R$ 1,2 bilhão. "A Novartis tem unidade no Brasil, como a de produção de insumos no Rio, que pode ser fechada", disse outra fonte.

Procurado pelo Estado, o presidente da farmacêutica no Brasil, Adib Jacob, não retornou os pedidos de entrevista. No ano passado, a companhia anunciou que deverá fazer uma longa reestruturação, que incluirá venda de divisão de negócios e até fechamento de negócios considerados não estratégicos.

Movimento global. O movimento anunciado pela Novartis faz parte de um grande realinhamento das indústrias farmacêuticas globais. Muitas estão se desfazendo de negócios considerados não estratégicos para se concentrarem em áreas terapêuticas mais promissoras.

No caso da venda da divisão de saúde animal da Novartis para a Lilly, em uma operação avaliada em US$ 5,4 bilhões, a transação colocará a americana como a segunda maior do mundo.

Nesta semana, as farmacêuticas Pfizer e AstraZeneca anunciaram que as negociações, envolvendo US$ 101 bilhões, entre as duas fracassaram. A americana Pfizer, que perdeu receita com a perda da patente de importantes medicamentos, busca uma aquisição relevante para se manter competitiva. Analistas acreditam que a Pfizer poderá fazer uma oferta hostil novamente pela AstraZeneca ou olhar outros ativos, como a britânica Shire, especializada em doenças raras. A britânica AstraZeneca, por sua vez, poderá optar por uma fusão com outra farmacêutica, como a Amgen, como tática de defesa.

Já a canadense Valeant, que vendeu uma fábrica no Brasil este ano, e a Pershing Square Capital Management LP estão se unindo para tentar comprar Allergan, produtora do Botox, avaliada em US$ 46 bilhões.

"O mundo inteiro parou nos últimos anos. A recuperação da economia significa a retomada dos projetos, incluindo os negócios farmacêuticos", disse Antonio Britto, presidente da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), que representa as multinacionais no País. "O que se vê é um movimento das grandes farmacêuticas focando suas aquisições em determinadas áreas terapêuticas, para implementar seu portfólio", afirmou Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo). / Com Agências Internacionais

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.