Novas fábricas aguardam definição do governo

A indústria automobilística brasileira vive momento peculiar. Enquanto algumas empresas falam em planos de produção local, outras suspendem projetos confirmados. A chinesa JAC Motors, que anunciou investimento de R$ 900 milhões em fábrica na Bahia, decidiu adiar a obra. Já a japonesa Mazda informou no Japão que pode ter uma filial no País em 2014.

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h07

A fábrica da JAC Motors teria 80% do investimento bancado pelo grupo brasileiro SHC, do empresário Sérgio Habib, dono atualmente de 45 revendas da marca. Em abril, ele promoveu seminário para fornecedores de peças na intenção de escolher parceiros para abastecer a montagem de 100 mil carros ao ano.

Ontem, a assessoria de Habib confirmou que as obras para a terraplanagem do terreno em Camaçari, previstas para agosto, não vão começar até que o governo federal divulgue as regras do novo regime automotivo para as montadoras que pretendem se instalar no País.

Um regime de cotas - que isentaria parte das importações da alta do 30 pontos porcentuais do IPI em vigor desde o fim do ano -, prometido em maio, até agora não foi anunciado. O mesmo problema levou a britânica Land Rover, agora pertencente ao grupo indiano Tata Motors, a adiar o anúncio de uma fábrica, provavelmente para a produção do jipe Freelander.

A Land Rover negociava com dois Estados quando veio o decreto do IPI, que só isentou veículos com mais de 60% de conteúdo local. Outra que espera definições mais claras do governo é a alemã BMW, que deve anunciar fábrica em Santa Catarina.

O grupo SHC informou que, em março de 2011, quando iniciou importações, o modelo mais em conta da JAC, o J3, custava R$ 37,9 mil, recolhia 13% de IPI e o dólar era cotado a R$ 1,60. Hoje, o modelo custa R$ 34,9 mil, o IPI é de 43% e o dólar está na casa dos R$ 2.

"Nenhuma empresa consegue se organizar para expandir sua rede de distribuição e se capitalizar para construir uma fábrica se não tiver lucro", afirmou um porta-voz do SHC. A decisão é esperar para dar andamento às obras, pois há expectativas de que o governo anuncie detalhes do novo regime em meados de agosto.

Paralelamente, o jornal japonês Nikkei divulgou ontem que a Mazda pretende iniciar operações no País em 2014 e negocia com uma empresa de São Paulo a terceirização da produção anual de mais de 70 mil automóveis compactos e de outras categorias.

Inicialmente, o plano da Mazda era importar veículos que serão produzidos numa fábrica em construção no México. Mas teria abandonado o projeto em razão da restrição a veículos importados promovida pelo governo brasileiro. A regra agora estabelece cotas para a entrada dos modelos mexicanos, que são isentos de Imposto de Importação.

Novatas. Outras empresas que recentemente anunciaram fábricas no Brasil são as chinesas Hafei Motor, em parceria com a brasileira CN Auto, para a produção da van Towner em Linhares (ES), a Changan International em Anápolis (GO), a Shaanxi Automobile Group (SAG), para fabricar caminhões da marca Shacman em Pernambuco, e a CNHTC e a brasileira Elecsonic,também para caminhões da marca Sinotruk em Lages (SC).

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