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Novas medidas não evitam alta do dólar

Menos de 24 horas depois de ter lançado um pacote de medidas para tentar reverter o nervosismo generalizado que tomou conta do mercado financeiro nas últimas semanas, o Banco Central voltou à carga nesta sexta-feira. A autoridade monetária vendeu dólares, anunciou um leilão de linhas de crédito externas para instituições financeiras que tenham dificuldades de captar dinheiro lá fora e aumentou o recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo. Apesar da ação direta do BC, o dólar ainda fechou o dia acima de R$ 2,70, com alta de 0,22% em relação ao dia anterior. As medidas serviram muito mais para estancar novas altas do que para forçar uma queda da cotação da moeda estrangeira. Na prática, a elevação da alíquota do recolhimento compulsório de 10% para 15% dos depósitos a prazo totais dos bancos retira recursos do mercado e reduz o espaço para as instituições financeiras especularem no mercado cambial. ?Se havia disposição dos bancos em captar depósitos a prazo e direcionar os recursos para outras áreas, como a de câmbio, eles agora ficam com essa capacidade limitada?, disse o chefe do Departamento de Operações Bancárias (Deban), José Antônio Marciano. De acordo com ele, a medida vai retirar de circulação R$ 6,5 bilhões em títulos no próximo dia 21, data fixada para os bancos acertarem as contas com o BC. Com isso, o estoque do compulsório subirá para R$ 19,6 bilhões. O compulsório é um recolhimento obrigatório que os bancos fazem no BC sobre os recursos captados dos clientes. No caso dos depósitos a prazo, toda vez que o banco vende um Certificado de Depósito Bancário (CDB) ou uma debênture (títulos de dívida sem garantia) para a clientela, seja a pessoa física ou um fundo de investimento, um porcentual dos recursos obtidos é depositado no BC. Esse recolhimento é feito em títulos públicos em vez de dinheiro. A elevação da alíquota dos compulsórios a prazo, segundo o chefe do Deban, já havia sido cogitada pelos técnicos da instituição mas, por decisão da diretoria, não foi anunciada quinta-feira. ?É uma medida complementar?, disse o funcionário do Banco Central. O efeito no mercado, no entanto, é considerado marginal, pois o aumento foi de apenas 5 pontos porcentuais, bem abaixo das variações verificadas no passado, em momentos de maior tensão. Em 2001, no auge da crise argentina, a alíquota de compulsório sobre depósitos a prazo subiu de zero para 10%. A alíquota estava zerada desde 1999, quando o governo começou a adotar medidas para reduzir a diferença entre o custo de captação dos bancos e o valor cobrado nos empréstimos aos clientes. Uma elevação mais forte da alíquota nesse momento, entretanto, poderia ser prejudicial ao nível de atividade econômica, que já não está dos melhores. Segundo Marciano, o aumento poderá ter impacto no custo dos empréstimos mas não será generalizado. ?Isso dependerá do perfil de cada instituição?, disse. Se a fonte de captação dela é depósitos a prazo, o impacto vai ser maior.? A venda direta de dólares e a oferta de linhas de crédito no exterior para suprir necessidade de curto prazo dos bancos são consideradas medidas mais eficazes. O primeiro leilão de linhas externas será realizado na próxima segunda-feira. O BC está oferecendo dois lotes: um de US$ 150 milhões e outro de US$ 300 milhões. No caso da venda direta de dólares, o valor exato da intervenção só será conhecido na próxima segunda-feira, quando for divulgada a variação do saldo das reservas internacionais ocorrido nesta sexta-feira.

Agencia Estado,

14 de junho de 2002 | 21h02

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