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Novas medidas para conter a fraqueza da economia

As medidas de estímulo ao crédito adotadas anteontem revelam o grau de preocupação do governo com o desaquecimento da economia. É o que explica o pacote de facilidades oferecido pelo Banco Central (BC).

O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2014 | 02h04

Em resumo, foi reduzido o recolhimento compulsório dos bancos; ampliado o rol de instituições financeiras que podem ceder créditos para aquelas que quiserem aproveitar as regras de redução do compulsório; e reduzidas as exigências de patrimônio para conceder empréstimos no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), sob a responsabilidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O PSI foi há pouco revalidado pelo governo.

Pelos cálculos do chefe do Departamento de Normas do BC, Sérgio Odilon dos Anjos, se todas as facilidades forem aceitas, a oferta de crédito crescerá em até R$ 45 bilhões.

Os recolhimentos compulsórios são um instrumento clássico do controle da liquidez. Limitam, portanto, a oferta de crédito. Mas o que parece limitar a expansão do crédito, hoje, é o desinteresse dos tomadores, porque os juros aumentaram e a demanda doméstica é fraca. Os bancos públicos são os que mais querem recursos para emprestar. E já obtiveram outras facilidades.

A Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, foi autorizada a transformar R$ 10 bilhões do FGTS repassados a clientes em dívida subordinada. Assim, aumentou o patrimônio de referência e pode emprestar mais, sem precisar de capital fornecido pelo Tesouro, o que afetaria o resultado primário das contas públicas. O Tesouro também alterou a remuneração de instrumentos híbridos de capital e dívida firmados com o BNDES, para evitar uma redução do capital de referência do banco, informou, há alguns dias, o jornal Valor.

Com as facilidades anunciadas, o BC estimula os financiamentos tanto por bancos privados quanto por públicos, que já respondem por mais da metade do volume total de empréstimos. É provável que os maiores beneficiários das medidas sejam justamente os bancos públicos.

Empréstimos são um meio de criar moeda e estimular a demanda. Mas, se esta está fraca em razão da falta de confiança nos rumos da economia, a oferta de mais crédito poderá ser inócua. Pior será se essas facilidades prejudicarem a qualidade do crédito. Os devedores devem ser solventes, para não elevar os riscos dos bancos e não reduzir sua disposição de emprestar.

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