Novas regras de TV a cabo aceleram investimento em fibra óptica

Abertura do mercado deve incentivar expansão, para que empresas possam oferecer pacotes combinados

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

Nos últimos meses, a TV paga via satélite, também conhecida por Direct To Home (DTH), tem liderado o crescimento da televisão por assinatura. Em abril deste ano, o total de assinantes do DTH ultrapassou o de cabo, pela primeira vez. Em julho, havia 5,8 milhões de clientes de DTH e 5,3 milhões de cabo.

Parte disso foi a expansão da Embratel, que passou de 656 mil clientes em junho de 2010 para 1,54 milhão no mesmo mês deste ano. Mas outra parte se deve à limitação geográfica do cabo. O Brasil tem somente 242 cidades com operações de cabo, e a última licença foi vendida pela Agência Nacional de Telecomunicações há mais de uma década.

Nos próximos meses, esse cenário deve mudar. A Anatel prepara a venda de novas licenças. Com a aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 116, o mercado de TV a cabo foi aberto às operadoras de telefonia fixa, e acabou a restrição ao capital estrangeiro.

As novas licenças devem levar a um grande investimento no setor, com impacto em outros serviços. Um estudo publicado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que, quando um município passa a ter uma operação de TV a cabo, a base de assinantes de banda larga pode crescer em até 35%.

Combos. "Os investimentos em TV a cabo e fibra óptica caminham juntos", afirmou Leila Loria, diretora executiva de Relações Institucionais e Regulamentação da Telefônica. "A TV é fundamental para diminuir a desvantagem competitiva", disse Paulo Mattos, diretor de Regulamentação da Oi. Ele se refere às empresas do setor de TV a cabo, que oferecem pacotes de banda larga, telefonia e televisão.

A Oi tem uma operação de DTH e também a Oi TV, que opera o cabo em algumas cidades de Minas Gerais. Em junho, tinha 3% de participação, segundo a consultoria Teleco. "Queremos chegar a 20%", disse Mattos, acrescentando que o prazo depende de quando a Anatel começará a vender as novas licenças.

A Net, maior operadora de TV a cabo do País, está animada com a perspectiva de expansão, e até já selecionou novas cidades em que terá operações, como as capitais Salvador, Recife e Niterói. A empresa está investindo em redes nesses municípios, antes mesmo de ter licenças.

André Borges, vice-presidente Jurídico e de Relações Institucionais da Net, apontou a restrição geográfica como um dos principais motivos para o avanço do DTH nos últimos meses. "Nas cidades em que estamos, continuamos a ser a empresa que mais cresce", disse Borges.

Quando se leva em conta o mercado nacional, a Sky e a Embratel crescem mais. A Embratel faz parte do grupo de controle da Net e, quando o PLC 116 entrar em vigor, deve assumir a participação que hoje pertence às Organizações Globo.

Mais rápido. A expansão do mercado vem se acelerando. "Os clientes que conquistamos no primeiro semestre equivalem a 90% de todo o crescimento do ano passado", afirmou Agricio Neto, vice-presidente de Programação e Marketing da operadora Net. Segundo ele, a expansão têm sido maior nas regiões Norte e Nordeste.

No mês que vem, a empresa planeja lançar sua banda larga em Brasília e também o Sky Online, serviço de vídeo sob demanda, inicialmente para computador. Em 2012, o serviço de vídeo por banda larga também poderá ser acessado pelos conversores HD da empresa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.