Nove de cada dez vagas abertas são formais

Pesquisa do Dieese mostra que o quadro é oposto ao dos anos 90, quando só 3 de cada 10 vagas tinham registro

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

Nove de cada dez vagas abertas nas empresas privadas são hoje formais, isto é, têm carteira assinada. Nos anos 90, o quadro era o oposto: de cada dez postos de trabalho, só três eram formais.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), levando em conta abertura de vagas nos últimos 12 meses até agosto em sete regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Distrito Federal).

"O crescimento econômico abre espaço para a formalização do emprego. Essa é a principal razão", afirma o economista do Dieese Sérgio Mendonça. Além disso, ele observa que o avanço do crédito é um forte indutor da formalização, já que, para acessá-lo, uma das exigências é ter carteira de trabalho assinada.

Em sua análise, a formalização do emprego deve continuar nos próximos meses, mas não numa velocidade tão intensa. Ele sustenta essa previsão citando como exemplo o desempenho da indústria. Em agosto, o emprego industrial nas sete regiões metropolitanas cresceu 8% na comparação com o mesmo mês de 2009. Só na Região Metropolitana de São Paulo, a expansão do emprego foi 10,6% no mesmo período. "É difícil para a indústria manter essa velocidade nos próximos meses porque hoje as fábricas estão repondo fortemente as vagas perdidas por causa da crise", observa o economista.

De acordo com a pesquisa, o estoque de trabalhadores formais nas sete regiões metropolitanas atingiu 9,066 milhões em agosto deste ano. Entre agosto de 2009 e agosto deste ano, foram criadas 728 mil vagas no setor privado, das quais 672 mil com carteira assinada e apenas 56 mil sem carteira.

Desemprego. A pesquisa do Dieese revela números muito favoráveis para o desemprego. Em agosto, a taxa de desemprego nas sete regiões metropolitanas recuou para 11,9% da População Economicamente Ativa (PEA), isto é, a população em idade de trabalhar, ante 12,4% registrada em julho. Mendonça destaca que esse é o menor indicador de desemprego, não só para os meses de agosto, da série iniciada em 1998 para seis regiões metropolitanas e que incluiu a sétima, Fortaleza, a partir de 2009.

Também o desemprego na Região Metropolitana de São Paulo atingiu em agosto recorde de baixa: ficou em 12,3% da PEA, a menor marca para os meses de agosto desde 1992.

SINAIS FAVORÁVEIS

728 mil vagas foram abertas nas empresas privadas nos últimos 12 meses até agosto em 7 regiões metropolitanas do País, segundo o Dieese 56 mil foi o total de postos de trabalho criados nos últimos 12 meses até agosto sem

carteira de trabalho assinada no País, aponta pesquisa do Dieese

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