Nove petroleiras fazem oferta para exportar gás à Argentina

Nove empresas petroleiras, incluindo a Petrobras, se habilitaram junto à estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB) a fornecer gás natural para a Argentina durante os próximos 20 anos. As propostas das companhias foram abertas nesta terça-feira em Santa Cruz de la Sierra e serão analisadas pela direção da YPFB nos próximos dias. O resultado deve ser divulgado na sexta-feira.A concorrência visa a cumprir o contrato de fornecimento de gás ao mercado argentino assinado em outubro do ano passado, segundo o qual a YPFB se compromete a entregar até 27,7 milhões de metros cúbicos por dia até 2026. Três companhias que têm operações no país vizinho - Andina, Matpetrol e Petrobras Energía, subsidiária argentina da estatal brasileira - não apresentaram propostas, alegando que não têm reservas disponíveis."Este é um dos primeiros feitos concretos dos novos contratos de operação que foram negociados com as empresas e firmados em outubro do ano passado", declarou o presidente da YPFB, Juan Carlos Ortiz, segundo a agência oficial de notícias ABI. Segundo avaliação das empresas, os novos contratos restabeleceram condições para o retorno dos investimentos, suspensos desde o anúncio de a nacionalização do setor de petróleo e gás, em maio de 2005.Ortiz confirmou à imprensa local que o cumprimento do contrato com a argentina vai requerer aportes no desenvolvimento de novos projetos, uma vez que toda a capacidade atual de produção do país está comprometida com o mercado interno e com as exportações ao Brasil - cujo contrato, de 30 milhões de metros cúbicos por dia - vence em 2019.Além da Petrobras, houve propostas das empresas Don Won, Canadian Energy, Pluspetrol, Vintage, Chaco, Total, Repsol e BG. A ABI informa que, de acordo com avaliações preliminares, o volume de produção proposto pelas empresas ultrapassa o contrato com a Argentina. Nesse caso, a encomenda será rateada entre as companhias, para que todas se beneficiem do contrato, que prevê exportações a um preço inicial de US$ 5 por milhão de BTU.Novas convocaçõesSegundo comunicado da estatal boliviana, o volume ofertado pelas empresas não é suficiente para cumprir o contrato com a estatal argentina Enarsa, assinado em outubro, que prevê o fornecimento de até 27,7 milhões de metros cúbicos por dia durante os próximos 20 anos. De acordo com a YPFB, o volume máximo ofertado foi de 24,82 milhões de metros cúbicos por dia, em 2011. Depois, vai decaindo até chegar aos 1,63 milhão de metros cúbicos em 2026. A empresa informou, no texto, que realizará novas convocações para complementar os volumes comprometidos. A empresa espera que, a partir de novas perfurações e do trabalho de desenvolvimento dos campos, as petroleiras que operam no país encontrem reservas para cumprir o contrato. VenezuelaNa noite de segunda-feira, o presidente da YPFB afirmou que a Petro Andina, parceria entre a estatal boliviana e a venezuelana PDVSA, vai investir US$ 1,17 bilhões nos próximos anos. A empresa foi criada oficialmente no início do ano e atuará na exploração e produção de petróleo nos departamentos (Estados) de Chuquisaca e Tarija e em projetos de industrialização do gás produzido no país, informou a ABI.De acordo com Ortiz, US$ 1 bilhão serão destinados à busca por reservas de petróleo e gás - e produção das jazidas, em caso de descobertas - em quatro blocos exploratórios. O restante será gasto em duas unidades de separação de frações líquidas do gás natural importado à Bolívia e ao Brasil, para que sejam processadas na Bolívia. A empresa é controlada pela YPFB, mas os recursos serão desembolsados pelos venezuelanos, com ressarcimento após o início das operações dos projetos.Matéria alterada às 19h50 para acréscimo de informações

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