Novembro bate recorde de novos imóveis em SP

Com 4.894 unidades, mês concentrou um quinto dos lançamentos da capital no ano

GUSTAVO COLTRI, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h03

Sozinho, novembro concentrou 20,57% das 23.797 unidades residenciais lançadas na capital paulista desde janeiro - um quinto da quantidade ofertada na cidade em 2012. O desempenho, recorde no ano, supera de longe os números de outubro e ultrapassa o resultado do mesmo período de 2011, quando o mercado imobiliário mostrava sinais de maior aquecimento.

Ao todo, 4.894 imóveis na planta foram colocados à venda em São Paulo, distribuídos em 48 novos empreendimentos, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). O mês de setembro, até então líder no ano, contabilizou 1.089 unidades a menos.

A diferença é ainda maior na comparação com outubro. Houve 15 lançamentos e 2.359 unidades no décimo mês de 2012 - um terço dos projetos no mês passado e menos da metade do total de imóveis postos em comercialização. Ante novembro de 2011, aumentou em 12,3% o número de unidades autônomas, ou 536 imóveis, com mais quatro produtos na quantidade de lançamentos.

Os apartamentos são maioria absoluta em novembro, com 96,75% da quantidade ofertada. Porém, 21 dos 48 novos condomínios são horizontais, o que mostra diferenças significativas de adensamento entre os projetos: cada edifício tem 82 imóveis em média, enquanto um conjunto de casas tem sete propriedades.

As unidades de dois dormitórios foram as mais populares, com quase a metade do total. Os bons resultados devem-se, no entanto, aos imóveis de três e de até um dormitório. Os primeiros passaram de 781 para 803 em um ano, e os compactos de 408 para 1.445 - alta de 2,82% e 254,17%, respectivamente.

O segmento de quatro ou mais dormitórios, por outro lado, apresentou quedas na comparação anual. Os lançamentos caíram de 11 para dois e as novas unidades, de 582 para 240. Já o segmento de dois dormitórios apresentou crescimento no número de empreendimentos (de 20 para 25), mas recuo no total de imóveis (de 2.587 para 2.406).

Em média, o preço total caiu 0,57% de um ano para o outro, movimento que não se repetiu na análise do custo do metro quadrado, com valorização de 13,8%. As unidades ficaram, ainda, 9 metros quadrados mais compactas.

Motivos. O diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia, atribui a recuperação do mercado à retomada das aprovações de projetos na Prefeitura: "Desde que caiu o ex-diretor do Departamento de Aprovações (Aprov), Hussain Aref Saab, a área começou a andar a passo de tartaruga, e muitos projetos ficaram parados até o secretário tomar uma atitude". Aref é acusado de se aproveitar do cargo para adquirir, de forma ilícita, mais de 120 imóveis entre 2005 e 2012.

Em entrevista coletiva em 28 de novembro, o vice-presidente do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, também afirmou sentir "a melhora na aprovação dos projetos", mas não responsabilizou apenas o caso de corrupção pela estagnação de lançamentos. "Outras capitais passaram pelo problema de aprovação", disse. A disputa eleitoral em todo o País seria um dos demais motivos para a morosidade.

O presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Claudio Bernardes, avalia o aumento dos novos imóveis como trajetória natural do mercado imobiliário na segunda metade do ano - tradicionalmente o último trimestre é o mais aquecido. "Nós vemos o que está na prateleira. Se não lança em um mês, lança no outro."

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